Ford dealership, 1935

Algumas coisas que me chamaram a atenção neste showroom da Ford: o motor do chassi em exibição, aliás ricamente cromado e detalhado, está funcionando. À direita, um eixo dianteiro com um cabo conectado a ele. Provavelmente para exibir a eficiência (sic) dos novos freios da Ford. E o piso, do jeito que a turma gosta. Nunca entendi o motivo de se apreciar tanto esse tabuleiro de xadrez, mas respeito.

O homem de vendas, este soldado incansável, é dos bons. As pessoas realmente estão prestando atenção ao que diz. Da mesma forma, o operário solitário que, debruçado sobre o que deve ser o rádio disponível como acessório, acalenta seus sonhos, ainda com o macacão da luta diária.

Antes, o detalhe do cartaz na vitrine, que convidada os transeuntes a conhecerem os novos Fords. Aqui eu me superei: usando a mágica inexplicável do Photoshop, e um efeito sobrenatural que espelha uma imagem na horizontal, consegui decifrar seus dizeres que estavam invertidos! Impressionante essa tecnologia.

No use, Mac. It’s a Ford V8.

Os cães não correm mais atrás dos carros. Se cansaram antes de nós, perderam o entusiasmo primeiro.
Mas nem sempre foi assim.
Houve uma época, quando íamos para a roça, em que o melhor momento da viagem era quando caíamos na estrada de chão e sabíamos que, de trás de qualquer lasca de braúna, podia sair um vira-latas irritado que nos perseguiria por muito tempo. Nos esprimíamos na janela e meu pai diminuía a toada para dar uma chance ao pequeno corredor. Eram quase sempre os mesmos, e a frustração era enorme quando um determinado cachorro não dava as caras. Por onde estaria? Na roça com o dono? Cobra mordeu?
Quando éramos cercados por um grupo era particularmente engraçado ver quem desistiria primeiro e quem por último. Este, geralmente, desistia depois de umas duas ou três olhadas para trás, para os colegas. Com a língua pra fora, arfando, diminuía a corrida e, abanando o rabo, nada cestroso, nos dava as costas e retornava para casa. Era assim, quase sempre, nos muitos quilômetros de terra batida até Monte Verde.
Há muitos anos que nenhum vira-latas orgulhoso do seu pedaço não nos persegue. Ou eu não me lembro mais de procurar por eles, ou eu acelero mais e eles nem tentam, ou eu deixei de ser criança mesmo, não sei.
Tudo isso e mais um monte de histórias me passaram pela cabeça quando eu achei, pela primeira vez, este anúncio da Ford, provavelmente de 1935:

Bom, eu pensei, se hoje nostalgia, nos anos 30 era uma prova de vigor. Imagine, onde se viu um Greyhound não querer correr? Desistir antes de tentar? O pequeno Terrier tudo bem, mas o Greyhound?

Fiquei pensando na cena dos calhambeques dos anos 10 e 20 pelas estradas e o motorista lendo um reclame assim. Só algum tempo atrás eu encontrei as fotos a seguir. Aí a coisa fez todo o sentido para mim.

Olha, Monte Verde hoje, em 2012, ainda não têm a urbanização desta cidade americana em julho de 1935, data da foto. Exceto por este detalhe, é bucólico do mesmo jeito. Mas os cachorros deveriam ser da mesma índole. Atentados.

Dei um zoom na foto, e vi – acho que vi – que o motorista do Ford aí estava com a cabeça inclinada para a esquerda. Será mesmo? Vi direito?

O que será que o cara pensou? Lembrou de algum vira-lata específico? Indicou um sorriso no canto da boca? Vai saber.

Achei esta outra foto lindíssima também, de outro lugar mas do mesmo anúncio, esta pequena pérola da propaganda.

Parece que desta vez ninguém deu bola para os cachorrinhos.

Por um motivo assim tão singelo e particular, este para mim é o mais criativo anúncio de um produto que eu conheci. Pois me fez abrir um sorriso e me lembrar de coisas tão boas como minha roça querida e a infância.

Sem preço, Mac.

Aproveitando a oportunidade – rara – de falar de Fords aqui no blog, segue outra da mesma época. Um billboard de um concessionário Ford de 1938. Veja que belo.

Essa foto era bem opaca, quando eu joguei ela no Photoshop o desenho do carro acendeu, ficou nítido, ganhou profundidade. Parecia em três dimensões. Dei um zoom e descobri que, na verdade, não é uma pintura. É realmente um Ford 1938 Tudor na beira da estrada!

Que tal estas rodas, calota e pneus? Sensacionais, Mac.

Toma um brinde, um calendário da Ford de 1938. De um dealer como o da foto seguinte.

No use Mac, it’s gone. Down to the memory lane.

1950 Ford dealership

Os Ford de 1950, novos em folha. Só escolher um, assinar uns papéis, bater a chave e pegar a estrada.

Este deve ser o caso de um dealership que não economizou na promoção do novo Ford. Pelo visto ele comprou tudo que o marketing da Ford deve ter criado para vender ainda mais carros em 1950 do que no ano anterior.

Aliás, existia um departamento de marketing na Ford em 1949/50/51, como o entendemos hoje? Pesquisei, mas não existe nada sobre isso por aí.

Eu fico pensando no que seriam estas fotos em cores. E no que seria ter visto isso ao vivo.

Acorda malandro, que amanhã é dia de trabalho.

O incrível Darracq V8 em The Old Motor

Esqueci de contar naquele post anterior, sobre este blog que têm me fascinado, o The Old Motor. Eu fico emocionado de ler e ouvir quem sabe sobre automóveis de um modo geral, me fascina. Mas quem passeia pela Brass Era, ou os primeiros automóveis construídos, merece mais que minha admiração, merece minha absoluta e profunda inveja intelectual.

É o caso do dono desse blog. É incrível a desenvoltura com que ele passeia pelos automóveis mais antigos, quando cada um era cada um em sua excência e projeto, tudo era artesanal, pioneiro, experimental. Tudo era na raça.

Destaco entre tantas coisa boa, os vídeos sobre esse automóvel Derracq, com um fascinante motor V8 que, bem, você pode ver pela fotos aqui, mas é melhor ver o vídeo para cair com o queixo no chão. Incrível mesmo.