57′ Heaven Museum – FOR SALE

A primeira grande vítima da crise mundial no universo dos carros antigos vai ser o 57′ Heaven Museum, em Los Angeles. O museu abriga 66 automóveis – todos produzidos em 1957 – sendo que há um exemplar de todos os conversíveis fabricados na América naquele ano. Incrível.

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O museu abriu 3 anos atrás com o objetivo de retratar a cultura automotiva em 1957, e seu dono, Glenn Patch, colecionador e empresário do ramo imobiliário, está precisando fazer caixa para suportar a crise. O preço da coleção dos sonhos? A bagatela de 17 milhões de dólares, o que signifca que mais esta grande coleção será desmantelada e dividida em partes, pois dificilemente alguém vai pagar tanto neste momento por algo sem liquidez.

Para se ter idéia do significado desta coleção, basta dizer (escuta essa, Mário!) que o Museu têm 3 raríssimos Chevy El Morocco, tal qual esses do Jay Leno aqui. Barbaridade! Além disso, um posto inteiro e original da Texaco dos anos 50 pode – ainda – ser visto por lá.

Infelizmente, parece que essa é a sina de todo grande acervo e coleção. Não percam tempo com muitos carros, amigos. O negócio é ter um e andar, pois, como diz o dono do museu em questão, ‘estes carros não servem para dirigir, apenas para sentar e ficar olhando para eles’. É mole? Toc, toc, toc!

A matéria do LA Times sobre o assunto está aqui.

Para um tour virtual do museu, o link é este aqui. Vale a visita. Abaixo, algumas fotos que encontrei por aí.

A coleção de carros de Lindley Bothwell

Para quem está triste com a história do acervo de carros antigos do Roberto Lee em Caçapava, apresento agora a história do Sr. Bothwell, em muito parecida com a dele, exceto pelo desfecho.Lindley Bothwell Car collection

Lindley Bothwell e seu acervo. Em 1954 esta era a maior coleção partcular de automóveis dos Estados Unidos, com 85 raridades reunidas ao longo de muitos anos.

Lindley Bothwell nasceu na California em 1901 e viveu uma vida muito interessante. Ele foi um grande animador de torcidas e estádios e um dos primeiros surfistas da California. Formou-se em agricultura pelo Oregon Agricultural College em 1926 e foi um bem sucedido plantador de laranjas e pecuarista, com o que amealhou grande fortuna. Mas, o lado da vida deste homem que mais me interessa é a sua fantástica coleção de automóveis antigos e sua paixão pelas corridas.c1

Lindley posa para a posteridade em dia de corrida e diversão entre os amigos

Em 1954 a coleção de Lindley já era o maior acervo particular dos Estados Unidos. Por ser tão precoce, esta coleção era composta de veículos dos primeiros e dourados dias da história dos ‘auto-móveis’. Basicamente, modelos de alto luxo do das primeiras décadas do século XX, como o Roll’s Royce de 1911 do último Czar da Rússia; o Daimler 1910 de George V, Rei da Inglaterra; o Lozier de 1912 de Henry Huntinghton o magnata das ferrovias norte-americano; e O Peugeot 1913 de Dario Resta, campeão de velocidade na Indy 500, entre outros modelos de corrida. O modelo mais antigo da sua coleção foi um Locomobile de 1898. A coleção ainda incluia tratores, carros de bombeiros e de diversos outros tipos. Foi o homem certo na hora certa.c-31

Uma das corridas organizadas por Lindley. O local eu não pude apurar qual é. Seria sua fazenda?

Com este Peugeot de 1913, o próprio Bothwell correu em Indianápolis a mais de 103 milhas por hora (170km/h) em 1949. A paixão por velocidade era grande e Lindley Bothwell ainda teve tempo de ser o pioneiro na realização de corridas de carros antigos na América, na época (anos 50) chamadas ‘veteran car races’. c-2

Lindley Bothwell e sua coleção de automóveis clássicos. Que beleza, hein?

Ainda colecionou bondes movidos à tração animal e, enquanto viveu, foi a única pessoa no mundo a manter este tipo de coleção. Para manter os bondes em forma, ele construiu em sua propriedade uma gare, nos moldes das que existiam quando eles eram utilizados, e um trilho com mais de uma milha de comprimento para passear com a família, amigos e visitantes.c-6

Hoje a coleção é mantida pela viúva dele, que já conta com mais de 90 anos. Ela cede o sítio deles, o Bothwell Racnh, somente para encontros de carros antigos de alto luxo. Hot Roders não são bem vindos e são expulsos a tiros, claro. Teme-se pelo destino do acervo após sua morte, mas acredito que na América dificilmente acontecerá algo equivalente ao acervo do Roberto Lee aqui no Brasil.c-311

A coleção dele de bondes de tração animal foi única no mundo. Tudo funcionando e sendo usado por amigose visitantes do seu Rancho

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c-32Apesar do vulto de sua obra e coleção, não consegui muita coisa sobre ele na internet. Inclusive eu gostaria de saber se este autódromo em que foram tiradas estas fotos acima e abaixo são na propriedade dele ou não, e se foi um dia comum de confraternização entre amigos ou algum evento especial.

Para maiores informações sobre e vida de Lindley veja estes links aqui sobre a biografia dele destacando sua faceta de agitador de torcidas, este aqui sobre alguns recordes deles em estádios, ou este aqui numa matéria de revista da época, ou este com lindas fotos dos antigos carros de corrida dele, que aliás seguem reproduzidas abaixo.

A segiur, mais fotos de uma das corridas promovidas por Lindley Bothwell com seus carros antigos.

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O segundo assassinato de Roberto Lee

O Mário Quintana escreveu um poema que diz mais ou menos assim: “Na vez primeira em que me assassinaram, levaram um jeito de sorrir que eu tinha; na outra vez em que me assassinaram, foram levando qualquer coisa minha.”

Veja o que estão fazendo com o Museu de Antiguidades Mecânicas de Caçapava, ou simplesmente o Museu do Sr. Roberto Lee.

O museu no início de Novembro deste ano (2008)

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O mesmo local e automóvel no início deste mês, dezembro de 2008.

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O que mais vai acontecer daqui por diante?

Para ver mais fotos de como estava o museu em novembro de 2008, clique aqui.

Para ver a matéria da 4 Rodas de 1974 e a lista do acervo do museu co seus 53 automóveis, clique aqui.

Para ver uma matéria da Motor 3 sobre o museu em 1984, clique aqui.

Para saber das últimas sobre o que está acontecendo em Caçapava, visite o Fórum do Simca do Brasil clicando aqui.

Como era o Museu do Roberto Lee em 1984

Estes arquivos foram enviados pelo Mário, que acendeu o pavio da nossa revolta quando mostrou as fotos recentes do museu do Roberto Lee em Caçapava ao Flávio. Uma vergonha tão grande que até o Jesse, blogueiro da Califórnia, ficou sabendo e está divulgando a causa a quem interessar possa.

O que o Mário nos manda agora são cópias de uma antiga e muito boa matéria da Revista Motor 3 datada de 1984, quando o museu ainda estava inteiro e funcionando. Tomei a liberdade de ampliar as boas fotos que ilustram a matéria, o que só piora a sensação de que, na verdade, as vítimas não são a família ou a cidade que abriga o museu; somos todos nós.

Aí está o museu do senhor Roberto Lee, do jeito que ele planejou, sonhou e construiu. Se você quiser saber como está este museu hoje, clique aqui. Obrigado ao Mário por ter enviado este material precioso.

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