Plymouth, 1937

Quando no outro post, todos foram capazes de enxergar um Ford 46 na vitrine, exceto eu, vi que preciso de novos óculos.
E me lembrei de algumas fotos de vitrines em que, efetivamente, se pode ver alguma coisa através delas!
Ira, sim, existe a foto que você pensou, mas vai com os anúncios de jornais que estamos pesquisando e ainda não organizei.
Por enquanto vai esta, um zoom em um dealer Plymouth em 1937, que foi um ano mui importante para estes Mopar encantadores e sempre charmosos.

A brochura da época, que traz as mesmas ilustrações que vemos no cavalete, podemos ver aqui e aqui.

No Allpar.com existe uma página inteira dedicadas aos Plymouth deste ano, aprende-se um pouco lendo o artigo deles.

O vídeo promocional está no Youtube.

E todos os modelos, especificações e etc. dos Plymouth 37 estão aqui.

Standard Oil Company’s SOHIO service station

Dia de inauguração de uma “Service Station” da Standard Oil em Ohio, meados dos anos 50. A SOHIO é uma das empresas criadas por John D. Rockfeller como forma de controlar o mercado americano e escapar à lei criada em sua homenagem, o Antitrust Act de 1890.

Supostamente, claro.

Fotografia perfeita, impecável, técnicamente irrepreensível. Em português claro: linda.

Primeiro, a fotografia original. Uma festa, literalmente.

Vamos dar um zoom nos detalhes. Os letreiros, primeiro. Começando pelo neon.

A cena principal, agora.

Do lado esquerdo, alguém está calibrando os pneus de um Buick Century ou Special, 1954.

As bombas de combustível. Supreme ou X-Tane? Um globo destes da X-Tane, original, custa uma grana hoje em dia. Já uma reprodução é barata.

Voltando à cena principal. Em primeiro plano, um formidável, lindo, estonteante Plymouth Belvedere 1955. Infelizmente não sabemos pelo ângulo se é um 6 cilindros ou V8. Somente 47.375 desses Belvedere foram fabricados neste ano, que para mim é mais elegante que o manjado 57.

Ainda na cena acima, um Chevrolet 150 ano 1954, em segundo plano à esquerda. Na sua frente, à direita, um Chevrolet 210 Townsman Wagon ano 1955.

Chegando mais perto do Belvedere e sua alegre e sofisticada motorista.

Como lá é a terra dos aditivos para tudo, não se esqueça de levar o seu.

A elegância de um frentista de posto dos anos 50, um senhor de idade avançada, em seu trabalho digno.

E o outro, mais atrás. Rayban.

A rica cena de fundo. Toda atenção ao dono do carro, o senhor nosso cliente.

Lavar os vidros, a eterna cortesia de um bom posto de gasolina e serviços. Não me lembro a última vez que me ofereceram esta inestimável gentileza. Só pedindo.

Ao fundo, uma cena comum. Não me refiro ao Nash 1949 ou 50 nem ao Cadillac 1952 (confere?). Mas ao Ford 1949 relegado ao fundo. É uma metáfora, mas eu que estou habituado com as fotos dos finais dos 40 e começo dos 50, já percebi há muito tempo esta transição: entre 1950 e 52, os Fords são onipresentes nas fotografias que conheço, em muito maior número que qualquer outro carro contemporâneo ou dos anos seguintes. Mas, em algum momento a partir do final de 1952, acontece isso; as cenas registradas são invadidas por Chevrolets e outros e os Fords 49/51 são bruscamente deslocados do primeiro plano até que, em meados da década, sua ocorrência é a de um pássaro dodô no zoológico da Quinta da Boa Vista: nenhuma. Isso mostra as rápidas transformações da indústria nos primeiros anos do pós guerra. Só podemos imaginar o frenesi que era, a ansiedade que significava ser um americano médio e comprador de automóveis então. Mais ou menos como a nova classe média no Brasil de hoje.

Enfim, um zoom ao fundo.

Mais perto…

Para terminar, como um dos personagens misteriosos e ocultos de “Las Meninas” de Velasquez, um observador privilegiado de toda a cena, uma criança. Que é talvez tenha quem guardado a melhor memória e sentimento de toda a cena.

E um anúncio pitoresco da SOHIO da época destas fotos, que achei por aí, muito bonito. Xis!

E se você curte signs antigos, placas e latas de óleo, recomendo este site. Assine a newsletter deles, por assunto, e se divirta.

E para discutir tudo relacionado à gsolina, postos antigos e etc., teu lugar é este aqui, o Oldgas.com.

E para ver o que nõa está na foto, a indústria do Petróleo que nasceu com Rockfeller justamente em Ohio, reitero a sugestão que já fiz, a de que você compre o livro “O Petroleo – Uma História Mundial de Conquistas, Poder e Dinheiro” do Daniel Iergin. Você não vai mais abastecer o seu automóvel do mesmo jeito depois desta leitura. Não falo aqui de culpa, mas de informação.

Kodachromes via Flickr – 2

A primeira foto é dedicada ao Chico, que outro dia bateu a cabeça e descobriu os Fords Meteor/Monarch e ficou sem dormir duas noites seguidas, de tanta emoção. Já se recuperou e passa bem, mas têm tido insights estranhos sobre o Canadá.

Muitas cores nesses cromos. O Mercury causa cegueira momentânea, se preocupe só após dois minutos de incapacitação. A El Camino é naquele preto profundo que não vejo mais por aí. Já a segunda foto, com os dois Corvettes, eu dedico ao M.

E as fotos dos shoebox, todas elas, são dedicadas ao Irapuã, de quem estou com saudades por que não fui à Lindóia este ano.

A do Bel Air na porta do Sands vai para o próprio, o BelAir.

NASCAR Darlington 500, setembro de 1958

Selvagem correr com esses carros. Alguns caras não se davam ao trabalho de tirar os frisos dos stock.

O que mais me chamou a atenção foi o Mercury Turnpike. Não sabia que isso fazia curva…

Na Wiki, sabe-se que a corrida foi em 1º de Setembro de 58, e quem ganhou foi “Fireball” Roberts, com um Chevy 57.

Fireball foi o que aconteceu com outro carro, o de nº 60, veja abaixo. Que auto é esse? Estou com preguiça de pesquisar. A sorte do carro de nº 47 não foi muito melhor. Perceba a carroceria altamente deformável, visando exclusivamente a segurança do piloto.

Outro ponto: imaginou o barulho ensurdecedor e característico de cada motor – de acordo com o fabricante e com cada preparação  – que nessa época se ouvia nas corridas da NASCAR? Desde que motor passou a ser único, a sinfonia virou um solo.

1941 DeSoto Spotter’s Guide

Eu topei com os DeSoto de 1941 ano passado, por aí e imediatamente me interessei pelo que descobri. Principalmente pela carroceira do coupê de três janelas, mas no geral é uma safra e tanto. Pra quem se liga nisso, no ano anterior a DeSoto estreou grandes novidades tecnológicas que moldaram todo o mercado a partir de então. Mas, digno de nota em 1941 são o câmbio semi-automatizado Simplimatic Transmission, com seu acoplamento via Fluid Drive (esses nomes eram ótimos) que foi utilizado até 1955 pela DeSoto, e a estréia da nova grade dianteira, estilo queda d’água (waterfall grill) que seria a característica de todos os DeSoto até o meados da década seguinte.
O painel destes DeSoto é simplesmente bárbaro, com as luzes do velocímetro que mudam de tom à medida que a velocidade progride. Infelizmente, ninguém até hoje se deu ao trabalho de fotografar um.
Enfim, um grande automóvel. Ainda preciso ver o coupê, ao vivo, um dia.