Revista “A Cigarra”

Li ontem no Estadão sobre as mudanças no acervo digitalizado do Arquivo Público do Estado de São Paulo, e fui lá conferir. Sem muito procurar, achei várias primeiras edições da revista A Cigarra, do período entre 1914 e 1927, de onde tirei esses instantâneos da vida automotiva em São Paulo no início do século passado. Muita coisa interessante por lá, além desta publicação, é uma questõa de tempo agora até descobrimos mais sobre o que se guarda ali. Pena que o exemplo não seja seguido pela Biblioteca Nacional, que, como já disse aqui, têm um acervo digital ridiculamente pequeno diante de seu acervo, e cuja utilização é dificílima para pessoas ignorantes como eu.

Abaixo, o carnaval de 1918 em Sampa. Pouca coisa mudou por lá desde então, como podemos ver.

Bondes elétricos e sem trilhos, uma descoberta francesa como se lê. Fantástico.

Para o Carnaval de 26, tudo novo: a elite paulista esgotou as fantasias de Mazzaropi como se vê.

Em 1927 mais mudança, os paulistas inventaram o primeiro engarrafamento saindo da cidade para aproveitar o feriadão. Veja como a gente não sabe a origem das coisas….

Vamos falar sério. Alguns anúncios do período citado. Não anotei o ano de cada um.

Casa Ford, o único anúncio da Ford que achei em mais de 30 revistas que baixei. Existem outras, que precisam ser lidas ainda, claro.

Necessário registrar aqui um dos anúncios das indústrias Matarazzo que achei. Este sobre óleos e graxas lubrificantes.

“A Carrosserie Paulista”, sobre esta empresa eu gostaria de saber muito mais do que nos diz o pequeno anúncio.

Anúncio manjado da Goddyear, o mesmo que ela originalmente publicou nos EUA na época. Neste menos, mas em outros é óbvia a sobreposição do texto em português ao lay out americano.

Fogo! Carnaval em Sampa, acho que o de 18, terminou em incêndio na Casa Parisien na Rua São Bento. Detalhe para o magnífico automóvel dos bombeiros. Sobreviveu? Não sei.

Anúncio de página dupla da Studebaker. Guilherme vai deitar e rolar.

Casa Zuffo, outra que eu gostaria de saber mais a respeito.

Hupmobile, a “grande marca americana” representada em São Paulo.

Pedacinho de um anúncio da Goodyear, grande ilustração.

Cole Aero Eight, representado no Brasil por, provavelmente, portugueses dos Açores, donos da Israel Company Limitada.

Essex, o pequeno Hudson. Lindo, têm um unrestored na Hemming’s de dois meses atrás, igual a esse aí do anúncio. Procure nos arquivos deles, tá lá.

Aviação em São Paulo. Foram os amigos aí que começaram a moda de para cada milionário em Sampa um jatinho!

Siga para a casa de penhores! O que madame iria deixar por lá? Meio cedo pro crash de 29, não?

Rex, o “rei” dos limpa-metais. Certo. Próximo. Mas antes, atente para a qualidade da ilustração. Esse produto era nacional? duvido, isso têm pinta de anúncio traduzido para cá, é muito diferente do que se vê dos empresários e produtos locais de então. Muito, mas muito elegante, limpo e eficiente o anúncio. Se ainda existir, eu compro.

Cigarros Automóvel Club, claro. Se é pra poluir por que deixar de fora os pulmões? Charme e glamour só vem em pacote.

Cia. Paulista de Sorteios, que anos mais tarde mudaria sua razão social para Coroa-Brastel.

O novo Hupmobile! Lindo autos, por sinal. Com representante aqui no Rio, na Senador Dantas.

A Studebaker S.A. na 4ª Exposição de Automobilismo. Como assim quarta? Alguém soube das outras? Acho que o Guilherme já postou alguma coisa a respeito. Vou lá procurar.

Ford Touring Club. Viagem de São Paulo a Santos, sabemos pela segunda foto que pelo menos ao alto da Serra os expedicionários chegaram. Não há notícias na revista sobre a descida ou a volta.

Anúncio da Hispano-Suiza. Difícil de garantir, mas acho que é o primeiro que vejo por aqui, em terra brasileira. Será? Guilherme!

Jordan Automobile, modelo Playboy, o favorito dos jovens em São Paulo. Hoje são Camaros, Ferraris e Hayabusas! Jorginho Guinle nasceu a bordo de um, a caminho da maternidade.

Por último, um cabra com cabelo no peito e bom gosto, campeão de motociclismo em 1922. Mais antropofágico que isso, impossível.

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5 comentários sobre “Revista “A Cigarra”

  1. Irapuã disse:

    Sem palavras!
    Algumas dessas propagandas são parecidas com as que o amigo Zonta me enviou tempos atrás. Esse sabe onde encontrar esse tipo de preciosidades. Aliás, ele tá bem sumido. Cadê?

  2. Francisco J.Pellegrino disse:

    Nik, tô transportdo lá pros anos 20…..eu acabei de assistir “Meia noite em Paaris” do Woody Allen (o filme é ótimo), aí venho aqui no teu blog e vejo “A Cigarra”…fala sério…parabéns pela descoberta….poste mais umas trocentas propagandas…não ví nenhuma do CHANDLER, acho que rodava por aqui.
    Pô mermão…nota 10.

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