A revenda fantasma da Chrysler

Essa história eu li num fórum uns anos atrás, mas já tinha me esquecido dela. Até que ontem, visitando o bom site do Ralf Becker, vi que o assunto ressuscitou via Jalopnik, que conseguiu descobrir os fatos por trás das fotos.

E que fotos. Apareceu no Flickr uns anos atrás uma foto de uma concessionária Chrysler, abandonada, supostamente em Ohio. Até aí morreu Neves, existem muitos prédios abandonados por lá. Mas não um que tenha dois Plymouth Fury de frente pra rua!

Foi só agora, quando surgiram mais fotos, que os caras foram correr atrás do que seria aquilo: uma cápsula do tempo? Fecharam o dealer com os carros dentros? Mas como, se são de épocas diferentes?

Está é a primeira foto, de uns 6 anos atrás, que apareceu no Flickr.

As seguintes e a primeira são as mais recentes.

Antes que você passe mal e compre sua passagem, descobriu-se, claro, que o prédio não está abandonado. É do dono desta antiga concessionária, um sujeito chamado Basil Mangano, de 78, que vendeu tudo o que tinha quando a decadência econômica atingiu sua cidade, East Liverpool, em Ohio. Mas manteve o prédio da sua antiga revenda Chrysler para ali guardar seus carros de coleção.

Além destes dois Fury, ’68 e ’74, ele guarda lá, sem muito cuidado e com um atitute blasé, mais uns 35 ou 40 clássicos. O Jallopnik apurou que, entre eles, há uma rara e cobiçada (por mim inclusive) Red Express.

No mais, o cara deveria recuperar o prédio, mas a decadência econômica da cidade é tanta, que um visitante recente descreveu sua frustração ao erceber que o prédio é só mais um numa rua com vários imóveis abandonados. Deve ser o tal do c* do mundo, até por ser em Ohio.

Eu fiquei pensando no Badolato, lendo essa história. O acervo que ele está montando é impressionante. Como seria se fosse apresentado em , digamos, um reprodução de uma concessionária Dodge lá dos idos de 69 ou 70, quando foram lançados? Um barato, com certeza.

No mais, as fotos acima são dramáticas e poéticas. Ao mesmo tempo, inspiradoras e lamentáveis, pois que estes carros poderiam estar em melhor estado.

É a América.

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14 comentários sobre “A revenda fantasma da Chrysler

  1. Rids disse:

    Essa é digna de um documentário do Roger Moore. De qualquer jeito, é muito mais digna do que muitas concessionárias q

  2. Irapuã disse:

    *&!%#@* !!! E não é que existem histórias como estas?
    Meus sais…tragam meus sais…!! :)

  3. Francisco José Pellegrino disse:

    Cada história na internet, eu gostei do assunto..vamos organizar uma excursão para a tal cidade….mas é melhor a gente nem querer saber o que o Zullino pensa do assunto !!!!!!!

  4. Nanael Soubaim disse:

    Da série “Investimentos que custariam uma pechincha e renderiam uma fortuna, para quem tem bala e jeito para a cousa”. Os festivais vintage pipocam pelos Estados Unidos e dão de ombros para as crises, esta cidade é um cenário perfeito para eventos do tipo e até filmagens de época! Por que eu tenho idéias se não tenho os meios? Oh, céus; Oh, vida; Oh, azar…

  5. luis antonio da matta machado disse:

    Que lindas fotos, tão tristes.
    Se fossem cenário de um filme, não ficariam tão perfeitas assim.
    Os pneus semi arriados, os carros empoeirados, as vitrines imundas, o capim crescendo, a sujeira do tempo, o envelhecimento natural das estruturas.
    Sensacional, e intocável.
    Como se pudéssemos chegar ali, descobrir quem é o dono e comprar essas coisinhas que ele abandonou e não quer mais, pois nem valem mais nada para ele.
    É como encontrar um tesouro, um objeto antigo numa feira de quinquilharias, cujo valor é meramente qualquer um para vender rápido, ou mesmo entrar num brechó de uma velha rua numa pequena cidade antiga por onde ninguém de fora passa mais, e encontrar aquele gramophone original, funcionando a preço de banana.
    Que delícia de fotos que nos fazem voar, vogar, deixar a imaginação flutuar e realizar os nossos desejos de encontrar esse brechó , nessa rua onde ninguém passa mais.

  6. Luís Augusto Malta disse:

    NIK, ESSE SEU RESGATE DESSAS HISTÓRIAS É SENSACIONAL! Parabéns de verdade, antigomobilismo não é só juntar carros, mas correr atrás de suas histórias.

  7. David disse:

    Se fosse aqui no Brasil, acho que teriam roubado até os pilares do prédio…
    Mas, enfim, aposto que tem algum HEMI guardado nessa garagem esperando ser acordado. @_@

  8. Sérgio disse:

    Nem precisa ir até Ohio descobrir muitos carros (às vezes algumas preciosidades) semi-abandonados (como se isso pudesse existir hehehe) por seus proprietários. Basta dar uma vasculhada em garagens de prédios, depósitos, etc tudo aqui em São Paulo.

    Tambem existem carros abandonados pelas ruas, principalmente naquelas de pouco movimento. Pertinho do parque do Ibirapuera, uma vez me perdi e acabei parando numa rua cheia de Citröens. Pelo menos uns quatro, um na garagem de uma casa e outros espalhados pela rua, mas todos em estado ruim. No mesmo dia, subindo a pé em direção à avenida Paulista, me deparo com uma Kombi “corujinha” (pré-76) e um Fusquinha (pré-70) inteiros mas sujos e com jeito de que não rodavam fazia um bom tempo…

    Antes de ter comprado meu Maverick nem me dava conta disso. Passava por essas coisas e não ligava. Hoje, percebo como tem carro antigo abandonado por aí.

    No Rio de Janeiro e no resto do país não deve ser diferente. Eu fico até doente em pensar o que não deve ter, escondido por aí, aguardando alguem que os restaure…

  9. LBM disse:

    Caraca, tem carrro com as calotas ainda. Se fosse no Brasilsilsilsil já teriam levado até a ferragem das fundações…

  10. Alexandre Badolato disse:

    Nik,

    Demais, hein …

    Já pensei muito em fazer um show room de concessionária no Museu, para colocar carros todos de um único ano, como se estivessem à venda, 0km …

    Tenho espaço para isso, mas ainda estou me recuperando financeiramente da construção do Museu .. É muito difícil bancar tudo sozinho, sem nehuma ajuda, tendo que cuidar da segurança, etc …

    Mas um dia a gente chega lá …

    Abração,

    Badolato

  11. Rafinha disse:

    Parabéns pela descoberta, nos EUA (seguido aqui de longe) se acha bastante disso ainda. Muito hoje devemos a “tal da internet” para nos proporcionar achados como este… e viva os antigos guardados e esquecidos!!!

    Abraços,

    Rafinha.

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