Ford Carburetor Service, 1951

Semana passada conheci um agradável senhor de Blumenau no Mercado Livre que me vendeu esta preciosidade, um manual da Ford para o serviços de seus carburadores em 1951. Abrange o tradicional Holley 94 mas também um modelo compacto para seis cilindors, que eu desconhecia, e os dos caminhões.

Como o carburador Holley 94 em si, é um livrinho simples e por isso agradável de se ler. Têm tudo ali, com a simplicidade que não temos mais ao construir máquinas e diagramar páginas.

Fiquei ontem olhando para o livrinho e pensando se, nesta época de iPads, Kindles e outros leitores eletrônicos, haverá meios de um documento sobreviver tal qual publicado 60 anos atrás, em papel. Discussão longa, mas que impõe a nós o dever de considerar também a preservação não só dos automóveis e seus componentes, mas tudo quanto tenha sido publicado sobre eles, pois que esta missão é pessoal, já que desconheço a existência de uma biblioteca no mundo cuja missão seja guardar a literatura automotiva. O projeto The Old Car Manual Project é um caso particular, mas ali só estão as imagens, os originais estão com os donos.

Como a quantidade de literatura sobre cada automóvel é imensa, tendendo ao infinito só de pensarmos em boletins, manuais e atualizações  – nem cito revistas ou livros – o que vai sobrar daqui 50 anos deve ser muito menos do que temos hoje. E livros como este, para mim são a outra parte gostosa do negócio, qual seja a  de ter em mãos o papel que ilustrava, detalhava e acompanhava os automóveis. Para não falar do valor das informações técnicas, tão úteis e preciosas sobre a tecnologia que abordam e que pode muito bem ter se perdido no tempo. São portanto as chamadas obras de referências que não são substituídas pelos novos guias vendidos na Amazon.

Antes que alguém me cobre para colocar o manual completo aqui no blog, digo que isso será feito em breve, em alta resolução, prometo ao meu amigo Irapuã!

Só preciso de tempo, aí tu faz o download, imprime e guarda em papel, que é difícil ler um iPad na bancada da oficina. Alguém imagina o dedão escalavrado e sujo de graxa do mecânico tocando o cristal de um ipad? Eu não. Por isso prefiro os livrinhos. Dos que tenho até hoje sobre especificamente serviço do Ford, tenho cópia de todos, em papel pesado e ampliados ao máximo, para serem usados na labuta ou estudo mesmo, enquanto aprecio um café ao lado das minha caranguejolas. E os originais ficam guardados, longe das crinças e seus lápis de colorir, aguardando o dia em que, quem sabe, serão colocados à venda o Mercado Livre para a alegria e orgulho do próximo dono.

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19 comentários sobre “Ford Carburetor Service, 1951

  1. Francisco José Pellegrino disse:

    Vc é doidão memo mermão….!!!! livreto dos carbura…fala sério, parabens.

  2. Justino disse:

    Só sei que EU procuro preservar toda papelada automotiva que me aparece… pela internet tenho conseguido muuuuita coisa interessante, e na medida do possível imprimo e guardo.
    Ultimamente tenho disponibilizado pra download algumas reportagens antigas do Corcel pros admiradores…

    Abraço, parabéns pelo blog!!

  3. Sergio disse:

    Parabens pela aquisição Nikollas. Pelas fotos a publicação tem um nível muito bom, impensável para os dias de hoje.
    Na semana passada recebi um e-mail da editora Abril divulgando o arquivo eletrônico da revista Quatro Rodas. Lá estão todas as edições da revista desde o seu lançamento em 1960, com exceção das duas últimas edições, se não me engano. É incrível você poder ter acesso a tanta informação de maneira prática, fazer pesquisas e etc.
    Porém, ainda faço parte dos doidos que pagam para ter um manual do proprietário em estado impecável. A minha coleção de revistas, até onde eu puder, vai ter o seu lugarzinho reservado e protegido.
    Para pesquisas rápidas eu posso até utilizar os meios eletrônicos mas, a coleção de livros e revistas permanece.
    Abraços,

  4. Nanael Soubaim disse:

    Alguém imagina a lâmina de uma chave de fenda cutucando acidental(e intensa)mente a tela do iPad? Eu sim e me arrepio com a iminência do prejuízo. Melhor imprimir mesmo, de preferência em uma matricial, que tinta de impressora é cara e sensível à unimdade.

    Excelente iniciativa. Enquanto houver gente com senso crítico e disposição para comparar várias páginas do mesmo tempo, para dar precisão às conclusões, os livros continuarão a existir, mesmo que em plástico biodegradável imprimível.

  5. Nikollas Ramos disse:

    Chico, tu me chamando de doidão eu levo a sério! Vou começar a análise! Cadê o telefone do Luís? :)
    Não vejo como a paixão pelo antigo se dissociar do gosto pela literatura de época. Eu não desejo os carros dos outros, mas os livros eu confesso que sim. Por exemplo, o MAO no Autoentusiastas publicou recentemente pedaços do catálogo dos Duesenberg, com cada vista explodida de fazer a cabeça de qualquer um girar. Coisa de aficionado, como ele, ter isso, mas eu admiro. Mais do que quem têm alguns modelo J na garagem. Como o Leno, por exemplo. De tudo o que ele têm, não troco pela documentação que aquele senhor que o assessora em assuntos Duesenberguinaos, que teve a oportunidade e comprou toda a documentação, projetos, documentos fiscais, cartas, tudo o que fazia parte da fábrica Duesenberg. Ele têm projetos de peças de cada automóvel, desenhos dos moldes, enfim, um tesouro. Em se tratando do que são estes raros automóveis, quero ver alguém restaurar um Duesenberg sem o auxílio precioso deste camarada o qual não anotei o nome.
    Por outro lado, curto o papel sim. Amo papel. E informática, mas uma coisa não deveria viver sem a outra. Vamos ver como serão as oficinas daqui 30 anos.

  6. Irapuã disse:

    Já que citado, e ainda que um tanto afastado pelas atividades do dia-a-dia, este internauta
    -que há muito não é um petiz (tomou banho com sabonete “Lifebuoy” quando criança e já carregou pente inquebrável “Flamengo” no bolso traseiro)- obriga-se a se manifestar:
    Inicialmente, já que o trato com a informática não vai a níveis complexos, para constatar que considera o manuseio de i-Pads/Pods/Putz não é descartada, mas uma possibilidade um tanto afastada, pelo menos por enquanto. As janelas para a modernidade e a praticidade da vida moderna nunca devem estar fechadas.
    Segundamente, para agradecer a possibilidade de ter em mãos o manual sobre o Holley 94. De forma impressa, naturalmente.
    A deferência de ser lembrado com promessa tão animadora quando da aquisição do livreto pelo mantenedor do blog é uma honra não merecida e só demonstra sua consideração para com os frequentadores deste espaço, que consideramos ser nosso também.
    Thanks, Nick!
    Irapuã

  7. Francisco José Pellegrino disse:

    Doidão: assim no bom sentido; aquele cara que gosta muito da coisa; vai fundo na pesquisa, capisce ? não doidão no sentido: cheirei, piquei, me droguei estes EIs todos que a gente detesta.

  8. Francisco José Pellegrino disse:

    Eu tb tenho meu “museu”, um dia mostro, sinto pena das coisas que não guardei dos tempos de Willys, os manuais do Dauphine,Gordini,Aero e da Linha Rural/Jeep.

  9. MAKINETA disse:

    xííííííí… eu entao… tenho muitoooooossssssss catalogos do tempo em que se comprava nas feiras um livro ou catalogo destes por algo equivalente hj a 2,00 5,00 10,00 e olhe lá!!!
    foi nas feiras livres queeu adquiri aos 14 anos a revista fatos e fotos com a materia do homen na lua …ou a ediçao de emerson campeao com disquinho vinil 33rpm perfeito e assim vai… quando senna morreu comprei 1 jornal de cada na banca e tao guardados intocados numa gaveta numa estante no galpao… mesma coisa quando o Brasil foi tetra… quando foi penta eu nao esta no país… uma pena… mas já catei muito livro de manutençao automotiva e catalogo de peças literalmente jogados na caçamba da lixeira da oficina/autorizadas… mas aí veio o ml… e tudo inflacionou uma pena… abraçao Alberto Junior
    makineta.com.br

  10. leonardo grecchi disse:

    A minha coleção de duas rodas e motoshow estão guardadinhas…

  11. Irapuã disse:

    Tô vendo que tem muita coisa guardada por aí…
    Vamos por mãos à obra, digitalizar e disponibilizar!
    Podem ser úteis para consultas e restaurações, sem mutilar o acervo pessoal de cada um, que manterá o original em sua guarda e posse. O movimento antigomobilista só cresce em qualidade se as informações circularem e pudermos buscar a originalidade, gerando valor e qualidade.
    Abraços.
    irapuã

  12. Nikollas Ramos disse:

    Chico, refleti muito sobre sua sentença e conclui esta madrugada: sou malucão mesmo! RSRSRS!
    Estes que tu perdeu aí da época da Willys eram o pote no final do arco íris. Quantos mais sobraram? Imagina, o part list de um Interlagos? Affff!!!!!
    Pra ter jogado isso fora, Chico, é que tu é malucão também! RSRSR!

  13. Francisco José Pellegrino disse:

    Agora não adianta chorar…é tentar achar os caras da AGROMOTOR que provavelmente tem todo este material…da antiga Willys. No blog do http://sportprototipos.blogspot.com/ do grande Joel tem um assunto muito bom sobre os tempos da Vemag, de uma pessoa que trabalhou lá, não é uma coisa técnica, tem a história bem contada…passe lá. A gente naquela época nem pensava em guardar estas literaturas técnicas, vimos o final da Vemag e da Willys, mas o país naquele momento crescia muito e estamos envolvidos na carreira profissional, no início da familia, na faculdade…sei lá, tanta coisa.

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