Dia de jogo do Brasil

Estou empolgado com as placas que tenho pintado. Não que o resultado me satisfaça ainda, pois sofro da doença de querer me meter onde não posso e de achar que o que eu faço é sempre ruim. Mas é que tenho tentado uns vôos mais altos – para a minha envergadura, diga-se. E isso significa sair da linha e traço das primeiras placas para pensar em luzes e sombras, profundidade e tal. Prato feito pra quem quer perder a paciência, jogar tudo no lixo e ir assistir TV, sem a aporrinhação das tintas.

No meu caso, como adotei a madeira (ainda comprei o tipo errado, cheio de fibras e dura como pedra. Haja lixa e braço para torná-la mais lisinha para os pincéis…) como suporte, o jeito foi largar as tintas PVA do começo (sim, tinta de parede nas primeiras placas! Santa ignorância Batman! E ainda gastei um dinheirão com isso e por nada) e partir para o acrílico, que sempre me deu arrepios só de pensar na rápida secagem do pigmento. É uma coisa de doido pintar lá em casa: minha trilha sonora bem alta num ouvido, Beatriz chamando “pa-pa-iiiiiii” no outro e o Tales no meu cangote, querendo pintar junto comigo, enquanto a tinta seca, o pincel escorrega e o vidro de preto PLOFT!, cai no chão!!! Ah, Deus, o que seria de um homem sem a paz do seu lar?

Depois de duas semanas rascunhando uma tábua, que quase foi pro fogo, ontem, dia de jogo, acordei cinco e meia ansioso com a empreitada e encarrei a dita cuja. Antes das 9h ela já tinha ido pro lixo e aí puz-me a lixar a próxima, mas me bateu a culpa. Afinal, se deu “m” foi por falta de habilidade minha! Eu quem tinha que estudar mais e, horrível de pensar mas verdadeiro, treinar mais. O que envolve tentativas e erros e isso é, confesso, a parte com a qual lido mal. Enfim, retomei lá pelas 10 e por volta do meio dia e meio estava satisfeito com o esforço! Não é que estava funcionando? Eu consigo, pensei! Uma da tarde abri a primeira Itaipava, o som do meu Hi-Fi estava mais alto do que as cornetas do vizinho, que deve ser o do Chico que se mudou para Niterói. Eu já estava alegre com o resultado, a esta altura, e garanto que isso foi antes mesmo do primeiro gole. Duas e meia fui pra casa da minha irmã, bati aquela feijoada e fui pra casa assistir o jogo. Durmi no sofá aos 5 do primeiro tempo e acordei já na metade do sehundo half. Tô nem aí, não gosto de futebol mesmo. Gosto é de carros e de tentar pintar a cultura que envolve.

Mostro essa brincadeira aqui não é em busca de elogios que são sempre suspeitos, dada a generosidade e cortesia dos amigos que passam por aqui! Mas para dizer – também para mim mesmo – um poquinho da importância do faça você mesmo. Eu quero minha garagem enfeitadíssima sim, mas prometi que não iria comprar nada pra ela. Eu posso fazer! Se não melhor, ao menos com muito mais emoção, sacrifício e superação do que passando o cartão na internet.

A placa ainda não acabou, falta o fundo (sim, eu deixei justamente o fundo para o final…) e alguns detalhes. Tenho também mais duas outras que pintei e que ainda não coloquei no blog. Semana que vêm coloco tudo no ar.

Em tempo, o desenho – claro! – não é meu. Acho que veio do H.A.M.B pois, aqui em casa, além dos filhos, a gente não cria nada! Copiamos tudo! Abraço, Nik.

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7 comentários sobre “Dia de jogo do Brasil

  1. MAKINETA disse:

    Parabéns Nik !!!!!

    Muitoooo bacana mesmo !!!tanto pela escolha do desenho ,quanto pelo acabamento.
    A cada placa postada aqui uma grata surpresa…

    Como nao poderia deixar de ter uma sacanagem….
    Gostariamos de que vc postasse uma foto sua tambem com capacete aberto e barba a fazer na mesma pose eu deixasse para que fizessemos um comparativo…

    kkkk

    Brincadeira cara !!
    tá 10 !!

    makineta.com.br

  2. rafael bruno disse:

    queria eu ter essa habilidade! já tentei mas as placas (e tintas) foram para o lixo hehehe

  3. Nanael Soubaim disse:

    Olhando esse sujeito com cara de psicopata, lembrei na hora do Fiat S76. Só de ver o tamanho da biela (http://www.bristolpegasus.com/index.php?section=298) do monstro, imagino a expressão de “Vou morrer feliz” da carranca, enquanto tenta enxergar a pista à frente do capô, a mais de duzentos por hora, com os 28,4 litros urrando e fazendo juz ao cognome. Era uma aberração que hoje faria qualquer piloto perder o seguro de vida, mas como miniatura (http://wimbloemendaal.blogspot.com/2008/11/fiat-s76.html) até que é bonitinho. Parabéns, quem consegue me tirar tantas lembranças com um simples desenho é porque tem talento, Ed Roth ficaria orgulhoso.

  4. Francisco José Pellegrino disse:

    Caro comparsa…..eu iniciei a construção de um diorama de uma pretensa oficina Porsche incentivado pelo meu grande amigo Marcelo Baiamonte (colecionador/construtor/comercializador de minis/fã de rock como eu e o filho dele/um cara como nós q gosta de chevys,fords,dodges/citroens/jaguares/fiats e por aí vai), esta coisa se arrasta por mais de 2 anos pois cada vez que começo a mexer na dita cuja me bate aquilo que vc sentiu ontem: NÃO VOU CONSEGUIR FAZER UM NEGÓCIO DE QUALIDADE !, aí vem meu filho e minha mulher sempre dizendo..SE VC NÃO FIZER NUNCA VAI SABER SE O RESULTADO FINAL
    É BOM OU RUIM….portanto caro comparsa estamos no mesmo barco, aliás vc está à frente pois já tem um resultado final muito bom no trabalho….CONTINUE, NÃO PARE.(não irei comentar aqui o dinheiro que está envolvido na compra de máquinas e ferramentas em escala para a dita cuja oficina). Vá em frente.

  5. Rpastor disse:

    Bem legal seu trabalho. Nada como um hobbye despretensioso. Eu tinha uma pequena oficina aqui em casa e construia barcos em escala. Depois de uma reforma, ainda não consegui remontá-la, mas chagerei lá.
    Abraços,
    rp

  6. Carros Antigos disse:

    Chico, é incrível, mas temos medo da rejeição. Isso é coisa de homem, minha irmã me explica. Pode ser, mas tentar e errar é a única forma de aprender, e a que mais me incomoda! Conversei hoje com o Renato Alarcão, um dos maiores ilustradores do Brasil, combinado de pegar umas aulas. Ele riu justamente quando falei da coisa do errar que me incomoda, e lembrou que desenho é treino, copiar o dos outros e depois alçar vôo. Faça o mesmo com seus dioramas, não veja muita coisa dos profissionais que isso frustra. É por isso que eu me sinto à vontade com esses doidos que tatuam, pintam, fazem pinstripes e o diabo, a rapaziada da Justom Kulture. Ali vale tudo, cada um com seu jeito, como disse o Rui, despretensioso, mas nem por isso menos apaixonado. Como disse outra vez, tô gostando ca combinação madeira+tinta+automóveis. Dá pra tirar muita coisa daí. Falta talento. Fora isso…
    Eu tô com pressa, Chico. Deixei passar muito tempo e agora quero botar esse lado, do hobby, pra frente. Não tenho a vida toda e ainda posso melhorar muito.
    Faça o mesmo, velho Chico. E vamos em frente!
    Abraços a todos, Nik.

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