Do Rio de Janeiro à Buenos Aires

Meu pai comprou para nós esta semana o último livro do João Máximo, jornalista, pesquisador da música brasileira e autor de uma consagrada biografia do Noel Rosa. Noel é mais uma vez o tema deste autor apaixonado pelo poeta da Vila, mas desta vez com uma abordagem diferente e, ao menos para mim, inédita no Brasil.

O livro é também uma coleção de fotografias do Rio de Janeiro dos anos em que o gênio de Vila Isabel aqui viveu. João quer nos mostrar como era a vida por aqui entre 1910 e final dos anos 30 e o resultado é, na minha opinião, a melhor coleção de fotos do Rio antigo jamais reunida em um livro.

São fotos de origens diversas, como a coleção de George Ermakoff (outro que têm publicado livros fascinantes sobre o Rio antigo) e o Museu da Imagem e do Som (MIS), responsável pela maioria das fotos do livro.

Eu estou apaixonado pelo livro e suas fotografias. Algumas poucas eu conhecia, como as do Augusto Malta publicadas justamente pela G. Ermakoff Casa Editorial em livro recente. Mas a maioria não. Não só desconhecia as fotos, mas também o Rio de Janeiro que elas descortinam. Não vou me alongar no arrazoado, mas é um livro indispensável para quem se interessa pelo assunto. Qual seja o Rio antigo, Noel Rosa, Samba e automóveis, claro!

Sobre eles, os automóveis, prezado amigo, existem pérolas que só vendo. E com uma qualidade de impressão de fazer inveja. Não economizaram na produção do livro.

Para começar então algumas série de posts clandestinos sobre o assunto, escolhi esta foto na esperança de descobrir um pouco mais sobre ela e sua historia

A legenda não diz muito, aliás acho que se enganaram: “O Rio atrai os primeiros turistas. Alguns com a ousadia da pioneira viagem de carro desde Buenos Aires”. Será então que a inscrição sobre o capú foi encomendada para o retorno para Buenos Aires? Estranho.

Acho que já li algo sobre isso, mas não tenho certeza. De qualquer forma, é um registro precioso. Se pudéssemos ilustrar ainda mais esta belíssima fotografia com o nome de seus protagonistas, a marca do automóvel e a data, seria ótimo. Por acaso hoje li o artigo do Luís sobre o Protos e o Thomas Flyer, da Grande Corrida de 1908. Esta não teria sido o equivalente sul-americano da corrida NY-Paris? Alguém sabe de alguma coisa?

Detalhe interessante são as indispensáveis pás, talvez um machado e pedaços de madeira amarrados no estribo, e o que parece ser uma caixa de ferramentas e peças. Me lembrei por isso daquela reportagem que o David me mandou uma vez, sobre a viagem do Sr. La Saigne, do Rio a Juiz de Fora, em 1920. Se um trajeto tão pequeno, uma década depois, foi tão longo e penoso, o que terá sido do Rio à Buenos Aires e vice-versa?

Não dá para imaginar. Aliás, dá. Com a ajuda de tão bela fotografia.

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7 comentários sobre “Do Rio de Janeiro à Buenos Aires

  1. Francisco disse:

    Só a internet para a gente conhecer estas coisas maravilhosas….tô ligado nos posts, coloque mais fotos aí…

    abs

  2. Nanael Soubaim disse:

    O mais bonito de tudo é ver que são pessoas comuns, sem pompa e nem circunstância, empreendendo uma epopéia desta natureza. Se hoje já cansa fazer uma viagem assim, em um Fusion, imagine quando então. É gente assim que mostra a outros povos como é o seu povo, muito melhor do que comitivas diplomáticas presas a protocolos. Este Ford ainda estará rodando? Algum descendente destes personagens os reconheceria na photographia? Vendo a precariedade da aventura, a maioria diria “Muito obrigado, Santos Dumont”.

  3. Paiva disse:

    Ótimas fotos. Vejo sempre suas postagens.
    Só um pequeno comentário:CAPÚ? Que isso? Conheço Capô, de origem francesa:tampa que fecha o local do motor,certo?
    Abraço.

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