A F1 1951 da família Pastor

Interrompemos a programação normal deste blog para um notícia extraordinária e de grande importância: a última do baú do Rui! ;)

O Rui já tinha dito que, quando o pai dele comprou o 51 fordor da família, também comprou uma picape Ford do mesmo ano. E ficou por isso mesmo, até que semana passada ele finalmente mandou estas fotos e a seguinte notícia:

“Nik, ai vai mais uma historinha…

Três fotos do mesmo carro em três fases distintas: Quando nova, na cor bege, prestava serviços na empresa de vidros Panorâmico, especializada na época em vidros laminados e temperados curvos. A foto é na Rua Vitória, centro de São Paulo onde era a empresa. Data: +/- 1955.

Na segunda foto, ela já verde escuro, na antiga Rua Vergueiro com arcos que não mais existem por conta da Linha Azul 1 do Metrô.

Neste época, o grande serviço que a F1 prestava era levar carregamento de cevada de São Paulo até Santa Rita do Passa Quatro, onde tínhamos uma fazenda. Note que também estou na foto, ao lado do meu pai ao volante! Data: +/- 1967


Na terceira foto, ela recém reformada (1980), pintada com o verde metálico do Opala 1977/8. A foto foi tirada na USP. Nesta fase, a F1 prestava serviços para mim pois era uma curtição sair com ela. Época também de participar de comerciais e desfiles de carros antigos.

Meu pai a vendeu em 2006… e foi de um único dono, assim como o Ford Custom…
Abraços, RP”


Interessante sim pensar que um automóvel serviu ao seu fim por mais de 50 anos com tanta eficiência e na mesma família. A história do Rui enseja muitas reflexões.

Mas, evitando as comparações de praxe, quando inevitavelmente quedaremos perplexos com a qualidade dos nossos carros ditos modernos, prefiro pensar em por que hoje em dia o sujeito compra um carro com um carnê de 72 páginas no porta-luvas e, na semana seguinte, já está de olho comprido no modelo novo do vizinho. Nos últimos 60 aos, nós mudamos muito mais do que a qualidade dos nossos automóveis. Na verdade, nós desejamos e cobiçamos na razão inversa da durabilidade dos nossos carros. Uma equação perfeita, pensou alguém no departamento de marketing daquela montadora… Ninguém hoje repetiria a história da família Pastor – ter um mesmo automóvel por 55 anos – não por culpa da qualidade dos carros, mas pela pressão do consumo desmedido.

Obrigado, Rui, mais uma vez. Adoro suas fotos e suas histórias. Abraço, Nik.

Anúncios

9 comentários sobre “A F1 1951 da família Pastor

  1. Guilherme Gomes disse:

    Lindas fotos.
    Tenho de me manisfestar que não gostei dela em 1980, mas era a moda da época.

    Rui, sabe dizer se as garras de parachoque e o avião veio nela desde OKm, ou foi colocado depois?

    Nik, compre uma F-1 para fazer companhia ao automóvel e eu te digo de quê é esse avião que está no capô dela pra você fazer igual a essa…

    Abraços,

  2. Nanael Soubaim disse:

    Que esteja em mãos de família e que volte às mãos da sua família. Não adianta comparar os carros de hoje com os de então, vamos ouvir retóricas ululantes dos maníacos por agressividade politicamente correcta. Alega-se que a electrônica reduziu a quantidade de defeitos ao longo da (curta) vida útil, o que uma passada em qualquer concessionária desmente no acto. Se esta mesma tecnologia fosse aplicada a um Maverick, por exemplo, ele poderia receber garantia eterna. Imaginem um daqueles carros da época da guerra agraciado com todos os recursos de que dispomos hoje.

  3. Luiz Claudio disse:

    Tenho acompanhado esse seu raciocinio sobre a vida útil dos autos e tenho a completar o que Jay Leno disse sobre seu Ford 1919: Ecologia, reciclagem e polica correta de consumo é ficar 90 anos com o mesmo carro, que funciona perfeitamente melhor nas vias de hoje. Tenho muita antiguidade funcional em casa em paralelo à modernidade e quando meus filhos questionam por exemplo, qual das geladeiras na cozinha é melhor? GIBSON de 1954 ou a CONTINENTAL de 2004? Respondo que pelo tanto de gente nascendo no mundo, pretendendo um dia ter emprego, é essencial que surjam mais e mais marcas com indústrias de bens cada vez menos duráveis mas que geram emprego e consequentemente aumento de consumo, igual Henry Ford criou. Falta apenas destinar corretamente essa sucata pouco durável, mas cheia de metais e polímeros sem processo de reciclagem viavel.
    P.S. ao Guilherme Gomes, as garras eram acessórios e por isso foram caindo, uma por foto.

  4. Carros Antigos disse:

    Boa observação, Luiz, não tinha reparado. A F1 foi perdendo os dentes, com o tempo, como qualquer um de nós.
    Essa observação do Leno eu achei muito boa, li jno Jalopnik e achei correta. O desdobramento econômico disso é que é o grande obstáculo. Mas, o mercado têm sempre razão, não é mesmo?

  5. Guilherme Gomes disse:

    O que eu achei mais curioso das garras do parachoques é que elas são do Chevrolet 1951… Seria mais interessante se fossem do Ford automóvel, mas enfim…

  6. rpastor disse:

    Olá para todos.
    Tive que consultar ao meu pai sobre as dúvidas aqui apresentadas. A primeira delas sobre o avião do capô, é do Mercury 49. Foi colocado pelo meu pai como decoração. Quanto às garras, são do Ford 51.
    A pick-up rodou 1.500.000 de km e o motor foi retificado 9 vezes.
    Abraços,
    rp

  7. Alessandro Simao Broza disse:

    Boa noite,estou com uma duvida em relaçao a minha pick up ford f1 1951, ela tem piscas redondos em cima do paralama, sou o 3 dono dela e o anterior ma falou que é original, mas em um encontro de antigos esta semana me falaram q nao é original e que os donos de f1 colocavam para maior segurança que os piscas eram da f8.Eles sao realmentes originais???
    Obrigado pela atençao
    Alessandro Broza

  8. Eduardo disse:

    Opa Alessandro Simao Broza, tudo bem?
    Também sou um feliz proprietário de uma Ford F-1 1951, se quiser trocar algumas idéias sobre nossas camionetas fico a disposição!
    mundosantigos@hotmail.com
    Um abraço e até mais!
    Eduardo

  9. nightriderlopes disse:

    Sou totalmente á favor do comentário sobre a durabilidade dos carros atuais!Recentemente me envolvi em um pequeno acidente e,eu com um ônibus bati de leve em um celtinha…
    Precisava ver o estado que o celta ficou!Lateral totalmente destruída(ainda bem que foi ele que provocou a colisão)!Se fosse em um carro dos anos 70,por exemplo,não teria nem riscado a pintura!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s