Dois vivas ao ócio!

Hoje completou uma semana, exatamente, sem internet aqui em casa.

Graças à NET, e em que pese alguns efeitos colaterais indesejáveis, pude enfim me dedicar a outras tarefas mais interessantes, sem que essa máquina que sequestra o nosso ócio me atentasse por todo o feriado – me refiro ao PC. E me lancei a fuçar os carros, o 51 com preferência, já que a lista dele é muito maior que a do Camaro. Nos planos, instalar o caça-mulatas, tarefa que vinha adiando em função do cagaço de meter uma broca de aço rápido no meu brinquedo. Ainda tive tempo para pintar umas placas, duas na verdade sendo que uma incompleta, com as quais pretendo decorar o meu canto da garagem. A outra opção era comprar pronto, mas diabos, qual a graça nisso e como eu iria desperdiçar meus dias de merecido descanso em casa durante as festas de Momo? Arrisquei, comprei as tintas e lixas, catei pedaços de madeira (reciclagem, viu?) e não me faltou serviço durante o carnaval. Ainda bem que ficamos sem internet, pensando bem.

As placas são minha obsessão. As antigas, de qualquer canto do planeta, pintadas à mão, me fascinam. Sou daqueles que vai ao mercado para ver o cartaz de promoção da maionese só para admirar a habilidade de quem pintou aquilo ao preço de um tostão. Aqui na região temos uns dois artistas, em que pese ninguém mais vê-los como tal, além de mim mesmo. Sempre que me encontro com os caras elogio seu lettering, mas desconfio que eles me acham um chato.

Gastei uma manhã de carnaval olhando para um pedaço de madeira carcomido sem saber o que pintar nele. Depois de muito tatibitati, escolhi homenagear o Tales, legítimo dono do pedaço. E ainda fazer graça com as habilidades dos meninos dessa idade, que é muito de quebrar e raramente consertar qualquer coisa.

Eis o resultado. Que, como se nota, é coisa de um gênio mui habilidoso. Mas o que está em jogo é a diversão. E o ócio.

E a piada que me ocorreu, com a biela que um dia foi do Incrível Hulk.

Acima, o Tales no momento da inauguração da placa. Sim, o correto seria Tales’s Garage mas a cacofonia ia ser uma desgraça. Deixei desse jeito mesmo.

Além desta obra de arte, comecei outras duas, que ainda aguardam inspiração. E transpiração, que não é moleza não. Descobri neste carnaval o quanto treme a mão de quem acumula duas décadas de (pouca) birita e (alguns) Marlboros, Definitivamente, não dá para ser neurocirurgião mais.

Eis as futuras obras de arte. Uma vai pro 51 a outra vai ser genérica mesmo, tipo My Garage My Rules. Aceito sugestões.

Fato é que descobri um hobby novo. Não me faltam idéias e agora que criei coragem de pintá-las mal posso esperar os resultados. Depois da geladeira, abram espaço na garagem!

Durante uma demão e outra de tinta, me arrisquei no caça-mulatas. Descobri que esse carro já teve um, pois a furação das três camadas de chapa estava atrás da forração da coluna A. Moleza, pensei. Me poupa o déjà vu com a broca do dentista e ainda me economiza um tempão. A titica é que o ângulo não casou com o acabamento externo do spotlight, o que obrigou o eixo a ficar 1 grau desalinhado. Parece pouco né? Mas não é, pois desse jeito eu não conseguia atarrachar a trava que vai no tal acabamento e por isso todo o spotlight rodaria sobre o próprio eixo com o peso do farol. Merde!

Dois dias depois criei coragem e fui refazer o ângulo correto nas duas paredes internas, que na externa não precisa mexer muito. Enfim, deu certo, é o que importa.

Finalmente, muitas horas depois, FIAT LUX! Nem preciso falar que o farolete é o maior barato. Tales me perguntou por que o Camaro também não têm um. Crianças! Onde se viu caça-mulatas num Camaro? Se ainda fosse no nosso Volks do dia a dia…

Depois de tanto “sacrifício” a família me intimou a uma voltinha com o Fordão, mais no final do dia. Já era quarta feira de cinzas, o carnaval tinha acabado, a noite caia. Fomos nós para o passeio noturno mais gostoso das nossas vida.

A droga é que eu instalei um outro acessório no Fordão, que conto qual outra hora pois ainda não sei das suas implicações legais. Mas, como dizia, liguei o spotlight junto, num fusível de 10. Adivinhe, queimou bem na saída de casa e navegamos às escuras! Mas tá bom, tá ótimo.

Tudo, repito, possível somente por que fiquei sem internet durante todo o carnaval.

Abraços, Nik.

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10 comentários sobre “Dois vivas ao ócio!

  1. ALBERTO disse:

    NIK…
    QUE BOM QUE AGORA PODEMOS TER PLACAS PERSOLANIZADAS POR VC E IREMOS PAGAR EM CERVEJA OK??

    IMAGINO A CARA DOS LETRISTAS DO MERCADO FAZEM E O FAVOR DELES QUANDO ALGUEM GRITA: LÁ VEM O MALA QUE FICA “CHAPADO” OLHANDO OS CARTAZES E NAO COMPRA PORRA NENHUMA!!! KKKKK DEVE SER UM PANDEMONIO…. HAHAHAHAHHA BRINCADEIRA CARA!!

    MUITO LEGAL O CAÇA-MULATAS… SÓ FALTA ARRUMAR UM RETROVISOR PRA COLOCAR NO LUGAR DAQUELE DE OPALA!!

    GOSTEI DO DETALHE DO ADESIVO NA TRASEIRA… TÁ ESCRITO O QUE? “KENNEDY FOR PRESIDENT” ??

    COM O GOSTO PELA PINTURA O TALES VAI QUANDO MAIS VELHO TROCAR A IDEIA DE SPOT NO CAMARO POR FLAMES NO 51… KKKK

    ABRAÇAO E PARABENS!!
    makineta.com.br

    AHHH SE LIGA NO CANAL SPEED NO DOCUMENTARIO QUE FIZEMOS NO MUSEU DO TREVISAN SAO 10 CAPITULOS SOBRE A HISTORIA DO AUTOMOBILISMO NO BRASIL DOMINGO TEM O CAP 3, COM UMAS 10 REPRISES DURANTE A SEMANA….

    TEM UM BOLAO QUE ESTAMOS FAZENDO DA NASCAR DE FARRA VALENDO UMA MINIATURA NO SITE NASCAR BRASIL.NET SE QUISER DIVULGAR TE PASSO DETALHES… É PURA FARRA…

  2. Aurélio Reis disse:

    Hei Nik, belo trabalho com as placas! E o caça-mulatas, ah se eu tivesse um e em quê colocar…mas, enquanto não acontece vou pegando as práticas com quem o tem.

    Uma dica: quando um nome prórpio termina em “S”, não se coloca o segundo “S” após o apóstrofo (aqui sim há cacofonia…hahah) logo, ainda há solução. E caso você tenha a mesma mania que eu, como um perfeccionista daqueles que tem de ter certeza que o mais escondido e insignificante detalhe tem de estar certo, alinhado, aprumado, digo que a grafia correta seria:

    Tales’ Garage

    Simples, não?!

    Um abraço.

  3. Roberto Cesar dos Santos disse:

    Prezado
    O filho do marinheiro rides again!
    Enfim, pude conhecer o garboso 51.
    Pelo visto, o Tales e o legitimo
    herdeiro do precioso. Belo Ford.
    O ambiente lembrou-me a caixotaria
    de um amigo no Alto da Mooca, onde
    ele guardava um lustroso Ford 51
    dourado, recem pintado, herança de
    seu pai, lindo como o seu.
    Anos ja se foram. Onde andara o
    dourado 51? Estara vivo? Quem sabe?
    Que eu me recordo, o Claudio (esse,
    o meu amigo do F51) adquiriu na
    epoca, uma alfaromeu giulietta sprint
    vermelha, creio55. Mas o Ford 51 tinha
    o seu lugar garantido na caixotaria.

    Saudaçoes pos-carnavalescas. Roberto

  4. Nanael Soubaim disse:

    Um dos carnavais mais úteis de que tenho notícia. Para quem já trabalhou em retífica de motores, um grau é a morte da peça, que não raro usa milésimos de milímetro de tolerância linear, e minutos como tolerância de arco. Não tentem trocar a bonzina de um motor Scania sem ter os calços adequados, não vão conseguir.
    Quanto às placas, divido contigo a admiração por esta arte tão desvalorizada. Freqüento com trema alguns sítios internauticos que oferecem fartos acervos, que mostram suas épocas melhor que os livros de história. Uma pin-up de Elvgren ou Petty pode ser familiar o bastante para ilustrar uma sala de visitas, enquanto mostra as vantagens do novo Ford para 1951, ou o Corvair para 1966.
    Não grila com o fusível. Já me cansei de ouvir reclamações de donos de carros novos, que por conta de um chip ficaram na estrada. É como sempre digo, a informática deveria gerenciar e auxiliar, jamais comandar um automóvel. Se não anda, não justifica o preço que se pagou por ele, mesmo com a propaganda hi-tech alardeando o contrário.
    Bons presságios para teu passatempo, que se converta em um novo agregador familiar em, quem sabe, uma nova fonte de renda, que também de pão vive o homem.

  5. David disse:

    HAUahAUahuAH… É tenso mesmo a praga da tentação do PC. Eu precisei arrancar os dois dentes cisos pra voltar ao lápis e ao papel. O resultado disso foi dois Plymouth ’63… @___@

  6. Carros Antigos disse:

    David, cadê os desenhos dos Plymouths????
    Nanael, fazer dinheiro com isso é complicado. Pense no típico “interessado” por carros antigos me pedindo uma placa do seu Cadillac, Gordini, Chevette, Bel Air…todos um saco só! E ainda vão falar mal – com razão – mas haja paciência!
    Aurélio, puta informação, não sabia disso. Vou corrigir, vai ficar porreta!
    Abraços a todos, Nik.

  7. Leonardo Grecchi disse:

    Nik:

    A foto em P&B parece que a polícia te parou pelo farol apagado e ia te lascar um reboque; então, a Ale usou o seu poder de mãe e mostrou que se o “poliça” ia ter coragem para deixar uma família inteira na rua…

    Que dó!

  8. Luiz Sampayo disse:

    Nikolas. Vendo nas fotos: garage com material de pintura bem a mão, um Ford 51 escuro e um guri certamente com mts idéias; lembrei logo de uma pintura de carro de polícia de minha autoria, por essa idade, em um Buick 38 de meu saudoso pai que estava do outro lado do oceano na ocasião. Na próxima vg leva junto o artista. Parabéns pela família. Ab

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