Roberto Lee

Relembrar é viver, e hoje me dei conta de que, como já era esperado, toda a comoção em torno da destruição do Museu de Antiguidades Mecânicas de Caçapava, do finado Roberto Lee, não deu em nada.

Na legenda desta foto, no original, lê-se: “… um Willys Overland 1906, com Eugene S. Knutson ao volante e Roberto Lee a seu lado.”

Aqui, neste post do blog estão depoimentos emocionados, tristes e indignados, de quem viu o museu vivo e em seu esplendor ou simplesmente lamenta ter sido privado de conhecê-lo.

Na época achei uma boa idéia associar o estado de abandono do Museu ao Armageddon, a batalha do juízo final entre o bem e o mal, e por isso batizei o post com as fotos do museu de Caçapava em 2008 de CARmageddon. Me enganei, pois nesse nosso caso o mal parece que venceu de lavada.

Mais tarde, o Mário Buzian me mandou matérias de época, dando conta de todo o fausto que era aquele lugar, e montei uma grande página, com tudo que circulou pela rede, chamada O Segundo Assassinato do Roberto Lee, que trouxe mais comentários de repúdio a tamanho descaso.

Enfim, estou relembrando isso tudo por que tamanha falta de vergonha não pode ser esquecida. Se não, como têm acontecido, ela vai se repetir ad eternum.

Mas também por que me dei conta de que não tinha publicado nenhuma foto do Roberto Lee, até agora. Ei-la.

Agora, pelo menos, todos os canalhas que vilipendiaram, saquearam e destruíram seu acervo sabem de quem devem ter vergonha, caso lhes falte memória. Eis o homem de quem vocês destruíram o sonho de uma vida.

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6 comentários sobre “Roberto Lee

  1. Nanael Soubaim disse:

    Vamos combinar? Quando tiveres o teu museu, faça doação em vida (haverá quem mereça) com teu usufruto, em sigilo, para garantir que episódios sórdidos como este se repitam.

  2. Mário Buzian disse:

    Nik,

    essa foto eu achei numa Enciclopédia do Automóvel editada em 1971, e com poucas, mas muito boas, fotos e textos.
    Muito triste de ver o sonho de um homem terminar desse jeito.
    Como já disse, que o exemplo de Lee sirva a todos nós, para que nunca mais se repita, nem aqui, nem em qualquer outro lugar desse planeta.

  3. Luiz Sampayo disse:

    Nikollas. O Eng Roberto Eduardo de Rezende Lee, antigomobilísta e desassombrado colecionador de VCs que modestamente me deu a honra de conhecê-lo no I Salão SP, deu início a sua preciosa coleção com o micróbio inoculado pela Balalaika, não uma epidemia mas apenas uma Fiat 520. O Harrah’s Auto Collection que em 1983 tive o previlégio de lá estar qd ainda abrigava 1453 veiculos, isso tudo a partir de um Maxwell 1911 adquirido pelo Mr Willson em 1948, jah em 1984 teve o acervo reduzido a cerca de 300 e hoje nem sei se existe. Apenas dois exemplos de autenticos aficcionados, não meros arrivistas. Tbm em comum ambos não assistiram ao imerecido desmonte do que chegaram a realizar. Fica a certeza que a partir de um VC outras coleções sempre surgirão, mas que tenham feliz destino. Ab

  4. Nikollas Ramos disse:

    A coleção do Harrah foi desmontada, o cassino dele, na mão de novos donos, reteve uma parte, mas ela é um pálido reflexo do que foi um dia. Infezlimente eu não a conheci nos bons tempos, e hoje não tenho interesse.
    Uma coleção não é apenas um amontoado de carros. Ela têm identidade própria, cunhada pela personalidade do dono e pela época em que foi feita. É por isso que as coleções dos primeiros botânicos que desembarcaram no Brasil, a partir de 1808, são tão bem guardadas em Moscou, Berlim e Washington. Assim o é qualquer outra que, quando é perdida, desfaz-se também a oportunidade de pesquisarmos uma época em que certos automóveis podiam ser coletados, como bromélias num pau brasil.
    Eu amiro muito o que deve ser a coleção do Lindley Bothwell (https://carrosantigos.wordpress.com/2008/12/14/a-colecao-de-carros-de-lindley-bothwell/).
    A viúva dele encontrou o meu post, e me pediu que traduzisse, o que eu fiz. Ela respondeu um mês depois, fria e secamante, que sim já conhecia aquelas informações e, sobre mue pedido de mais informações sobre o estado atual da coleção e fotos, ela encerrou o assunto dizendo que o “acervo de Lindley Bothwell é uma coleção particular e fechada ao publico, e assim permancerá, inclusive após a minha morte.” Nem respondi para não incomodar mais. Mas ela têm certa razão, já que eles podem manter o acervo, pois são muito ricos. A questõa é para que, se não pode ser consultada, admirada nem tocada. É a maldição do carro antigo: coleciona-me se não não me terás; e quando me tiveres, saibas que um dia me perderás. Um problema de difícil solução, Luiz.
    Abraço fraterno, Nik.

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