Morbest acessórios cromados

Eis a segunda pérola que recebi do amigo Luiz Sampayo.

São páginas de um catálogo de peças e acessórios para automóveis, provavelmente datado de 1951 ou quase, da Morbest Acessórios, empresa que operou no Rio Grande do Sul com grande êxito, pelo que se nota.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato de ter existido um fabricante com uma linha tão vasta de acessórios automotivos em atividade no Brasil, com uma infraestrutura de produção, vendas e distribuição tão profissional, como se pode perceber. Sim, eu sei que houveram muitos habilidosos fornecedores de peças na época, alguém tinha que manter a frota andando. Mas outra coisa é poder examinar um material como este e constatar a grandeza de nossa indústria de então.

O Luiz me mandou, não imagino o motivo (!), as páginas do catálogo relativas ao Ford 1951, que junto com o Chevrolet do mesmo ano ilustram a capa do catálogo. Juntos, eram seguramente a maior parcela da frota nacional, recém desembaraçada dos EUA. O interessante, repito, é que a Morbest fornecia absolutamente todos os cromados e frisos do Ford. Passei o olho na lista de peças e não dei falta de nenhum. Até o batente da porta, que eu comprei recentemente nos EUA, eles fabricavam aqui. Fui conferir se no meu, antigo e quebrado, constava o nome deles mas não, nem pista. Devia ser uma daquelas porcarias de Detroit mesmo…

A outra coisa que me fascina nesse tipo de publicação são as ilustrações. Nesta época, como se sabe, produzir e imprimir uma fotografia era algo caro, trabalhoso e disponível somente em algumas seletas gráficas do mundo. A solução sempre foi, portanto, trabalhar com o traço, a linha, o vetor, mais fáceis e baratos de serem reproduzidos.

E eu fiquei imaginando quem teria feito as lindas ilustrações da Morbest, com tanta riqueza de detalhes. O catálogo deles fica mais interessante se comparado com um equivalente americano da mesma época, como este da Eastern Auto de 1954. Neste caso, mesmo sendo rico em fotos, os traços das ilustrações são mais cirúrgicos, técnicos. O da Morbast é mais simples, familiar, mas não por isso menos ilustrativo, atraente. Talvez por ter sido desenhado por uma tal de Ilse? Terá sido uma senhora a autora desses desenhos? Será? Olha que coisa interessante.

Por fim, perguntei ao Luiz como teria sido a qualidade dos produtos da Morbest, e ele me disse que eram muito bons. Ele se lembra dos comentários elogiosos do pai, que comprou em pelo menos uma ocasião peças para um auto da família e gostou do que recebeu.

Perguntei isso por que os equivalentes cromados americanos, notoriamente os equipados na linha de 1951, eram muito ruins, em poucos meses tinham que ser refeitos. Isso se deve ao racionamente de materiais nobres, como é o caso do cromo, necessários ao esforço de guerra, no caso, a da Coréia, onde os americanos se meteram naquele ano. Foi assim nos Fords, não deve ter sido diferente em outros carros mais populares.

Eis o catálogo da Morbast. Luiz, mais uma vez muito obrigado. Quando quiser e puder compartilhar o resto, estamos na expectativa! Abraço fraterno, Nik.

8 comentários sobre “Morbest acessórios cromados

  1. MAKINETA disse:

    NIK.

    A INDUSTRIA BRASILEIRA E NOTORIAMENTE O COMÉRCIO VAREJISTA SEMPRE TIVERAM DESTAQUE EM RELAÇAO A CRIATIVIDADE… NUM PAIS ONDE SEMPRE TIVEMOS DE TER PORTAS DE MADEIRA E DEPOIS DE AÇO NOS ESTABELECIMENTOS,PARA RESGUARDAR CONTRA OS VANDALOS… EM CONTRAPARTIDA O PESSOAL DA AMERICA QUASE SEMPRE FOI DE VITRINES… CATALOGOS DA INDUSTRIA NACIANAL 40/50/60/70 SAO MUITO BONS…. PRINCIPALMENTE OS DE ATACADISTAS DE OUTRORA… SE NAO TINHA CONDIÇOES DE COLOCAR FOTO..O JEITO ERA DESENHA-LA NOS MINIMOS DETALHES…

    NO MANUAL DA MINHA VERANEIO 71…DO OPALA 72…DO AERO 62!!! E ATÉ DO MAVERICK 74… VINHAM INSTRUÇOES DE COMO VC COLOCAR O CARRO EM FUNCIONAMENTO E INSTRUÇOES DE COMO DIRIGIR!!! ISSO MESMO COMO DIRIGIR!!!

    HOJE OS TEMPOS SAO OUTROS E AS ARTES SAO OUTRAS… NADA COMO UM COMPUTADOR…EMBORA HA 20 ANOS ATRAS EU ACREDITASSE QUE NO ANO DE 2010 AS IMAGENS DE PEÇAS E CATALOGOS FOSSEM HOLOGRAFICAS… RSRSRRS

    ESCRITA…FOTOS…FOLDERS…MICROFICHAS(ALGUEM SE LEMBRA NOS ANOS 80???) DISQUETES CDS DVDS AGORA DEVE SAIR BLUE RAY RSRSRRS

    DEPOIS DEIXO EMPRESTADO COM ALGUNS DOS MANUAIS DE CONCESSIONARIA TECNICOS E DE PEÇAS, DE VEICULOS DEC 40/50/60/70/80

    COMO TRABALHO COM FERRAMENTAS FOI RELATIVAMENTE NATURAL EU ADQUIRIR PARA O ACERVO… POIS TE INFORMO QUE 70% DELES ESTAVAM EM VIAS DE SEREM JOGADOS NO LIXO… 20% RETIRADOS LITERALMENTE DA CAÇAMBA DE LIXO DE OFICINAS E O RESTANTE COMPRADO…

    VOLTADO AO TEMA… A QUALIDADE DO MATERIAL DE EPOCA ERAM BACANA POIS AQUI TINHAMOS COM RELATIVA FACILIDADE AS MATERIAS PRIMAS PARA CONFECÇAO E MAO DE OBRA ARTISTICA NAO FALTAVA DEVIDO AOS DIVERSOS IMIGRANTES DE OUTRORA…

    A NAO SER PELO MALDITO ZAMAC(UMA LIGA COMPOSTA DE DIVERSAS SOBRAS DE MATERIAIS COMO ZINCO…ALUMINIO…CHUMBO…) VULGO ANTIMONIO… OS TRABALHOS ERAM MUITO BACANAS

    HJ MESMO VÍ UMA SREPLICAS DO FRISO DA MALA DO DART 70 QUE SAO COISAS DE OUTRO MUNDO… MUITO LEGAIS…

    O BACANA É VER QUE TINHA MUITO MATERIAL PROS FORDOES… SINAL QUE TEM AINDA MUITA COISA ESQUECIDA EM MUITA PRATELEIRA OU PORAO DE AUTOPEÇAS OU OFICINAS DESATIVADAS OU NAO ESPALHADAS BRASIL A FORA…

    NUNCA DUVIDE DE ACHAR…

    AFINAL DEPOIS QUE EU ACHEI UM VELOCIMETRO ZERO BALA DO AERO 62 (O TAL VELOCIMETRO SÓ FOI FABRICADO SOMENTE EM 60/61/62) NAO DUVIDO MAIS NADA… AHHH IA ESQUECENDO DA CARROCERIA 62 VIRGEM QUE ADQUIRI DO ALBINO LÁ NO CUBANGO… A ULTIMA CARROCERIA VIRGEM(NUNCA MONTADA…ADQUIRIDA DE UM ESPOLIO DE CONCESSIONARIA WILLYS) DO MUNDO…

    TUDO É POSSIVEL…É FICA MUITOOOOO MAIS FACIL COM LITERATURAS IGUAIS A ESTAS DOS CATALOGOS QUE VC RECEBEU…

    PARABENS
    MAKINETA
    http://www.makineta.com.br

  2. Nanael Soubaim disse:

    Simplesmente maravilhoso. O cromo era tão necessário ao exército por sua extrema dureza, além de enrigecer o aço o torna inoxidável à maioria dos ambientes, praticamente só ácidos fortes lhe são nocivos. É tão duro que corta o vidro. No caso das autopeças, é feito só o revestimento, primeiro com cobre (que adere melhor à peça e corrige imperfeições) depois o níquel (que adere muito bem a quase tudo e age como selante, mas é mole) depois a camada de cromo. É isto que torna uma boa cromeação tão cara e tira nossa competitividade, já que a taxação é absurda mesmo para os padrões brasileiros, pois são materiais nobres e ( na concepção de alguém) supérfulos para o cidadão comum. Quando se usa só o cromo, que é quebradiço, ele pode descascar (e causar ferimentos) ao menor impacto. Além do que, o consumo de energia para a galvanoplastia é muito grande.

  3. Eugenio Bondan Jr. disse:

    Há alguns anos e consegui em Porto Alegre as peças 1077 e 1078 NORS ( cantoneira e parte intermediaria) made in Brasil, pela Morbest, e estão cobertas com anti-ruste (a única coisa mais parecida com cosmoline disponivel hoje) bem guardadas como sobresalentes. De fato podia-se reconstituir toda a grade e praticamente todas as partes cromadas e de inox. Tenho também uma das cantoneiras inferiores ( a que leva a meia-luz/pisca) feita em latão (!!!), outro provável ítem de reposição nacional da época. Ó único ponto negativo se assim poderíamos chamar, das peças da Morbest, é que a qualidade não era a mesma das originais made in USA, tanto que para mim poder usar (se necessário) as que tenho foi necessário um re-ajuste nas mesmas para combinar com as demais e com a lataria (o cromo está um poco desgastado pelos anos que estas peças ficaram rolando, sendo necessário uma nova recromagem para poder usá-las, por isso que aproveitei para fazer os tais ajustes como torcer um pouco aqui, chapear um pouco ali, etc.).
    Por isso que o pessoal mais exigente da época optava por recromar as prórias peças, no caso da curta durabilidade do cromo original (aquela história da cromagem pobre devido a guerra da Coréia decretada pelo Eisenhower que “enfraqueceu” literalmente toda a parte cromada do Ford 51), tanto que na maior parte das peças da grade de meu 51, assim como nas “goleiras” dos parachoques existem nros. gravados (batidos) os quais estou pesquisando o que se referem – provavelmente nro. da placa da época tipo X XX XX – para identificar e não misturar as peças.
    Pude descobrir também que na época existiram cromagens em POA que poderíam fazer inveja às melhores cromagens nos USA, desde o trabalho de polimento até o banho.

  4. lucio bavaresco de borba disse:

    Prezados:

    Pesquisando pelo google, achei vosso blog.
    Quanto a Morbest ou a razão social AUTO VIDROS METAL CROMO LTDA, a qual meu pai trabalhou desde 1955 até 1985, como torneiro ferramenteiro, tenho a dizer que no auge da fábrica, tinha 120 empregados. Tinha até uma loja própria na Av. Farrapos, esquina Rua Berlim, também aqui em Porto Alegre. Ná década de 80, com a diminuição dos cromados a empresa começou a passar por dificuldades e também por que não evoluiu como os carros (acessórios em plástico). No início dos anos 90, fechou de vez. Hoje o prédio ainda existe e serve como garagem. Os maquinários e matrizes das peças foram vendidos pro ferro velho ou entregues em leilões para pagamento de dívidas.

    Qualquer informação adicional só pedir por e-mail.

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