A corrida de 1909

Já faz algum tempo que, através do Paiva, presidente do Auto Relíquias, que sei que isso estava por acontecer. Ele não disfarçava a ansiedade, quando estive presente ao churrasco de encerramento do ano de 2008 do Clube. Afinal, se tudo desse certo, eles estavam por descobrir onde estava aquele filme perdido há tantas décadas, e que sozinho contaria uma história extraordinária, ilustrando uma época até então mal preservada em fotos. Trata-se do registro em filme da segunda corrida de automóveis do Brasil, realizada em São Gonçalo, aqui no Rio de Janeiro, em 1909, a exatos 100 anos.

Assistia por acaso o Globo Esporte deste domingo quando vi a chamada para aquela reportagem extraordinária com imagens raras, belas e cativantes. Eles haviam conseguido, afinal.

Eu fico orgulhoso por eles. Afinal, quantos clubes realizaram algo tão extraordinário, do ponto de vista histórico, seja pelo lado do automóvel ou qualquer outro? Quando o assunto é automóvel, é tão fácil falar de si, dos motores, do que é meu. A cruzada quixotesca em busca da preservação e da divulgação da cultura, é também estóico e por isso nos remete à origem dos clubes e associações, que deveriam sempre pautar suas ações também a favor da divulgação da cultura local, regional, de devolver à coletividade algo que muitas vezes ela não percebe e nem se dá conta de que estava ali a tanto tempo e qual sua importância. O Auto Relíquias neste aspecto é um exemplo a ser imitado.

De quebra, este filme ainda é o registro mais antigo preservado no Brasil. Não há nada mais antigo do que isso gravado em seu movimento natural em nossa história. Graças ao Auto Relíquias, este registro – tinha que ser – ainda por cima é sobre o automóvel.

O vídeo da reportagem do Globo Esporte pode ser visto na página do Clube Auto Relíquias ou no Globo.com. Para ler o artigo do Pedro Maranhão, vá no blog do Saloma.

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8 comentários sobre “A corrida de 1909

  1. Cesar Furquim disse:

    Ola, sempre que tentei acesso aos links mencionados neste blog obtive sucesso, qual nao foi minha surpresa hoje, quando tentei ver o filme dessa corrida historica e me aparece uma mensagem na tela dizendo que a visualizacao estah liberada apenas no territorio nacional. Confesso nao entender o que se passa.
    Lamentavelmente, terei que esperar ateh a volta ao Brasil para poder assisti-lo.
    Mais uma vez, parabens pelo excelente conteudo desse seu blog.

  2. Nikollas Ramos disse:

    Cesar, o video só está na Globo.com e isso deve ser restrição deles. É uma grande reportagem, te adianto. Assim que o pessoal do Clube colocar isso no Youtube, te aviso.
    Tentei acessar através de um proxy, mas dá a mensagem que você está lendo aí, vedado a exibição internacional. Dá pra entender?

  3. Nanael Soubaim disse:

    “Liberada apenas no território nacional”? Confesso que não entendi. Sei que sou uma anta em matéria de internet, mas não faz sentido restringir uma matéria de interesse mundial, inclusive do ponto de vista comercial. Imagino que Albert de Mônaco, que herdou alguns vícios do pai, adoraria ver o vídeo.

  4. nerddecarro disse:

    Tenho certeza que vi um pedaço deste filme no YouTube a meses atrás. Realmente é sensacional.

    Nik,

    Não se esqueça dos anos 60 e 70! hehe

  5. José Pinheiro disse:

    Pessoal fazendo algumas correções, este filme não foi achado pelo pessoal do clube das relíquias e sim pelo Historiador, pesquisador e diretor de cinema Jurandyr Noronha, foi encontrado no Museu da Quinta da Boa Vista, faz parte do CD Pioneiros do Cinema Brasileiro que pode ser encontrado na FUNARTE. Também não é o mais antigo filme, pois o mais antigo filme é de 1896, é sim o mais antigo Documentário.
    O pessoal do Clube não deu os devidos créditos, eu tenho o DVD a mais de 4 anos.
    quem quiser assistir entre neste link, tem toda história contada por um bisneto de um participante da prova:
    http://bandeiraquadriculada.com.br/Circuito%20de%20S.Goncalo.htm

  6. José Pinheiro disse:

    Esqueci o acervo valioso do já falecido Jurandyr Noronha, foi comprado pela LIGHT e doado para o Museu da Imagem e do Som, não fica bem não citar as fontes, existe a lei do direito autoral para isso, espero que corrijam a informação, grato!
    José Pinheiro

  7. Nikollas Ramos disse:

    José, inestimável sua contribuição. Em breve vou republicar a história aqui, com suas correções.
    Para quem como o Cesar não conseguiu ver o video, no Youtube está a saída, no link acima.
    Muito obrigado, Nikollas.

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