Qual seu encontro de Carros Antigos ideal?

O meu encontro de carros antigos ideal teria outros objetivos que não apenas expor os automóveis. Como são feitos hoje, os encontros servem mais aos donos que aos visitantes e perdemos, todos, a chance de aprender mais sobre a história por trás de cada um dos nossos estimados carros antigos.

lindoia_99

Decidi abrir este post depois de um comentário do Luís sobre o encontro do Veteran aqui no Forte, que pelo visto é igual em defeitos e virtudes a todos os outros realizados pelo Brasil afora. Se quiser dar sua opinião, continue lendo, clicando no link abaixo, por favor.

A cena é a quse sempre a mesma, do Rio Grande do Norte ao Sul, passando por Lindóia e, acredito, Araxá: carros alinhados ou não, com ou sem isolamento, muitos ou nenhum segurança, carros às vezes separados por fabricantes e modelos, às vezes pela tribo dos proprietários ou clube, mas no geral o que a gente encontra é uma certa desordem, cada um vai chegando e se acomodando como pode.

Eu gostaria de separar em dois os tipos de encontros tal qual os vejo, até para não perder o foco. O primeiro, encontro diversão, entre amigos de uma cidade ou bairro, no estacionamento do supermercado, no bar da esquina, no churrasco. E o segundo tipo, os grandes encontros institucionais, organizados por clubes, com patrocínios, taxa de inscrição, estrutura organizacional, os profissionalizados, portanto.

Do primeiro tipo não trato aqui. Cada um faz o que quer da vida, afinal. E a diversão nestes casos conta mais que outra coisa. Já o segundo tipo deveria ser diferente. E ouso palpitar como.

Antes, permita-me falar sobre como entendo o antigomobilismo, sem consultar o Houaiss. Um movimento que se propõe preservar a memória de um determinado objeto, lugar, país ou época não pode prosperar sendo tão singular como têm sido no Brasil os encontros de automóveis antigos. É preciso ser plural, enriquecer a experiência. É preciso dar dois passos para trás e ver todo o cenário que temos pela frente. É preciso abraçar a cultura em suas mais diversas manifestações, como elas interagiram entre si e como chegamos até um de seus resultados mais tangíveis e icônicos, no nosso caso, o automóvel.

Até onde me consta, em todo o Brasil os encontros são organizados como se automóveis fossem um produto em si, solitário e desconexo de sua época, e que só pode ser admirado por e para especialistas. Engano. Uma prova do que digo é a famigerada plaqueta do exibidor, que eu abomino, jogada sobre o painel onde não se enxerga bem, e onde se informa, quando muito, nome do proprietário, ano de fabricação, modelo e procedência do veículo! Ora, é possível e necessário se fazer e dizer muito mais. Muito mais mesmo, se pretendemos dar ao antigomobilismo um caráter cultural efetivo e de importância para a sociedade, e com isso pleitearmos os interesses dos donos que são muitos. Mas isso é outro papo.

Têm todo tipo de encontro, mas o pior para mim são aqueles que tocam músicas de época. Geralmente a época de preferência do presidente do clube que o organiza. É terrível ter que ouvir Bill Haley como se todos os carros do encontro fossem modelo 1954 ou se utilizados somente pela juvetude transviada. Chega a ser patético. Em Lindóia, por exemplo, a impressão que tenho é que eles tocam o mesmo CD com musicas desse tipo há pelo menos 3 anos! E nada de se falar mais sobre a história do automóvel. É uma visão muito lúdica, inocente e parcial a de se associar os ditos “anos dourados” às transgressões da juventude somente! Foram muito mais do que isso. É possível mostrar um Cadillac 53 com o Bill Haley ao fundo? Sim, mas também pode se dizer que para a guerra da Coréia saíam das mesmas fábricas de Detroit milhões de automóveis e milhares de jeeps, tanques e bombardeiros para lutar na Ásia. O mesmo “american iron”, portanto.

Em resumo, meu encontro ideal teria um folheto contando sobre as décadas do automóvel (ou de um modelo que se queira enfatizar) e uma síntese dos principais acontecimentos do mundo automotivo e sua época – Bill Haley inclusive. Teríamos posters e faixas alusivos a estes acontecimentos espalhados pelo espaço do encontro, com humor e inteligência, convidando os visitantes a aprenderem mais sobre o mundo em que vivem e em como viveram seus antepassados que construíram e nem sempre dirigiram aqueles carros. Meu encontro daria ênfase à indústria automotiva nacional, àqueles brasileiros que ousaram fundir blocos ao sul do Equador e o impacto que isso teve e ainda têm em nossoas vidas. O automóvel nacional seria destaque, sempre, a partir desta perspectiva e do valor histórico intrínseco a cada modelo. E nada da ditadura dos Opalas e Fuscas como  se vê por aí ultimamente. Vamos exibir fotos e filmes (cadê os filmes do Jean Manzon, cadê?), vamos colocar as crianças para terem mais contato com sua história e não aprenderem desde cedo que bom é o carro estrangeiro. Isso é um erro, sabemos. Collor disse o que disse porque detestava Juscelino, pois antes dele nem em carroças andávamos. Eu pensaria muito mais nas crianças, e ainda tentaria organizar espaços onde elas pudessem brincar de mecânicos, pilotos, construtores, projetistas de automóveis, tal qual o americano faz com o Foose e o apoio da Revell nos eventos do Good-Guys, por exemplo. Traria as grandes personalidades brasileiras (e também estrangeiras) para fazerem palestras sobre sua história com o automóvel. Traria um bom contador de casos para divertir os interessados em uma mesa redonda. Ao fim do evento, faria um site com fotos de todos os modelos expostos e mais informações para consulta permanente, pois aquele momento foi histórico e deve ser preservado também. Enfim, amigo, me desculpe se te irrito com tanto palpite, mas eu acho que meu encontro ideal seria mais democrático do que os que vemos por aí. Acolheria mais as pessoas comuns e não só especialistas, difundiria mais a história e a cultura do carro, que é tão rica e fascinante.

Digo democrático por que se não podemos partilhar o automóvel, pelo menos a sua história podemos. E onde está a história do automóvel? Em alguns poucos e caros livros e na cabeça de muitas pessoas que adorariam ter a oportunidade de contar sua experiência com ele. Como o pessoal do Mopar Clube fez, levando um ex-funcionário da Chrysler do Brasil até seu evento. Tocante isso.

Você vai me dizer que isso custa caro e é difícil. Eu diria que essa fase passou. Hoje o movimento chamado “carros antigos” é pólo atrator de dinheiro, de patrocínio e de investimentos. A época dos pioneiros ficou para trás, é mais do que hora de darmos o passo adiante e enriquecermos esta herança, ampliando a visão que se têm sobre o automóvel até por que hoje estamos mais distantes da época em que eles habitavam as ruas das cidades. É preciso assumir este legado e construir mais a partir do que foi feito e não deitarmos sob berço esplêndido, repetindo à exaustão esta fórmula aceita como padrão. E, insisto, os automóveis são importantes sim mas podem se tornar ainda mais interessantes, na medida em que se conte sua história e as pessoas que viveram com ele, construindo, dirigindo, polindo ou somente os desejando, esses são merecedores de igual destaque nos eventos e encontros. Ou deveriam ser.

Um evento como o de Águas de Lindóia, merecedor de todos os nossos elogios e incondicional admiração, não é capaz de identificar nem as épocas ou modelos ou sei lá mais o que, de todos os carros expostos. E isso deveria ser do interesse dos organizadores. O que eu estou escrevendo aqui hoje eu já enviei para eles por email nos últimos dois anos e nem resposta automática eu recebi. É possível para eles construirem tótens e galhardetes por década, com fotos e informação sobre modelos e a tecnologia de cada época? É. Então por que não fazem? Por que?

Enfim, deixo aqui meu desconforto com o modelo atual de encontros de carros antigos, que mais beneficia ao expositor e ao iniciado nos segredos da história dos automóveis, a maldita panela, do que o leigo que quer se divertir e – por que não?  aprender mais um pouco com os filhos e a família. Desta maneira, é razoável que sejamos tidos por excêntricos e excludentes, e que ainda que sem querer estejamos comprometendo o próprio futuro do tal antigomobilismo, na medida em que não formamos jovens identificados com a substância de sua história. É preciso darmos as mãos.

Ah, para terminar, a foto acima é do amigo Daniel, aqui do Rio, clicada em Lindóia em 1999 eu acho. Deste encontro tenho mais umas 100 que pretendo publicar em breve. Carros lindíssimos estiveram por lá naquele ano. Aliás, sempre têm. Pena que eu não consiga identificar todos, pois não há site na internet com o registro deste acervo fantástico. Mas está na gaveta de alguém. O que têm na minha eu estou esvaziando, e você?

Abraço, Nik.

Anúncios

32 comentários sobre “Qual seu encontro de Carros Antigos ideal?

  1. Nanael Soubaim disse:

    Belíssima colocação. Quanto à pergunta, por cá há alguns eventos, mas a vontade de participar e dar sua contribuição deixa a desejar e muito. O pessoal do Volks clube e do Puma Clube é o que mais se esmera em cativar o público, mas não temos espaços próprios nem apropriados para uma exposição. Digite “cvago” no google e clique em “estou com sorte”, verás o que digo. Aliás, eu que não tenho carro de coleção me esforço muito mais do que a maioria dos colecionadores, na divulgação dos eventos. Abri uma conta pro no flickr que se presta quase que exclusivamente para isto, mas nem os sócios da maioria dos clubes me procura para falar (ainda que mal) das photographias que publico. Muitos até mesmo se recusam a responder ás perguntas do público. Decerto que bater para ver se a lata é forte é um ultraje, mas dar suas impressões pessoais a respeito do Chevrolet 1937, é o mínimo que o tutor de um acervo cultural deve fazer. Não serve para isto a placa preta? Transformar uma máquina comercial e testemunho oficial de sua época?

    Não vou delongar, pois este não é meu blog e já cansei de reclamar e sugerir a quem se deve. Mas afirmo que uma exposição de ceículos antigos deve incluir o aprendizado das épocas em que os expostos vieram à luz, porque colocar um Chevette GP como mero objecto de observação superficial é fazê-lo competir com os carros novos, que têm muito mais apelo, com a mídia diária a seu favor.

  2. André Grigorevski disse:

    Nik, belo post e excelente a idéia de usarmos o espaço pra debater sobre isso. Se me permitem, coloco também a minha humilde opinião.

    Freqüento eventos de carros antigos desde o final dos anos 90, nesta época como simples admirador e curioso. Os eventos eram raros, pelo que lembro só haviam os anuais, como o do Forte e um que aconteceu poucas vezes no Carrefor da Niterói-Manilha (posso estar falando besteira, mas acho que é o mesmo que hoje acontece no Batalhão Florestal, no Colubandê). Em 2003 comprei o meu primeiro “velhinho” e passei para o outro lado do evento. Mas sem deixar de ser ainda um admirador e curioso, já que continuo sempre passeando pelos eventos, apreciando os carros presentes. Nessa época os eventos já eram bem mais comuns e mensais. Hoje em dia, então, sempre temos uma desculpa pra botar os carros na rua (ou na estrada) em manhãs de domingo.

    De fato, algumas coisas são irritantes, como a dita plaquinha de identificação que acaba não identificando muita coisa. No encontro do Forte de Copacabana, com a fita de isolamento e a distância que ficávamos dos carros, fora a tinta fraca que usaram pra escrever os dados, eu não conseguia ler nada. O isolamento dos carros eu não gosto, mas entendo quando há. Parte do público não sabe como agir em um evento de carros antigos, e metem a mão sem o menor remorso, tentam abrir portas, deixam filhos pequenos batucar na lataria e pára-choques.

    Acho que o público deve ser valorizado sim, pois como você deixou claro em seu texto, antigomobilismo é para todos e não apenas para proprietários ou especialistas. Palestras com pessoas da área são sempre interessantes, porém pouco utilizadas. Se folhetos para distribuir, ou cartazes, não forem possíveis, cada proprietário pode fazer um folheto contando a história do modelo de seu carro e fixar em algum local bem visível. Isso já ajuda bastante. Posicionar os carros buscando um tema (seja por década, montadora, modelo ou seja lá o que for) seria ótimo, porém é praticamente impossível prever quem vai aparecer nos encontros, mesmo em um importante como o do VCC. Sempre tem aquele que desiste de ir por algum motivo, ou o que percebe que não dá pra levar o carro que planejou e acaba indo com outro. Seria bom, mas acho que é difícil organizar algo assim em um grande evento.

    Porém, diga-se, não podemos esquecer dos proprietários, já que são eles que fazem o evento acontecer com seus carros.

    A questão que foi falada no outro post, sobre carros “mais ou menos” ou mesmo sobre veículos raros ou não, na minha opinião, é algo bem delicado. Falando primeiro nos raros ou não, estando em suas condições originais, dou tanta importância a um importado dos anos 50 do que a um nacional dos anos 70. Cada um tem sua história, que pode ser mais interessante (ou não) pra mim ou para qualquer outra pessoa. Não me incomodo de ver os belos Opalas, Pumas e Fuscas dos clubes do RJ. A gente vê mesmo muitos carros desses nas ruas, mas certamente em situação completamente diferente dos que vemos (em sua maioria) nos encontros. Se eles possuem muitos associados, é porque há união no grupo. Enquanto eles se dispõem a acordar cedo em um final de semana e levar seus carros, devidamente lavados, encerados e brilhantes, para algum evento, ao mesmo tempo donos de carros mais raros estão dormindo e o carro empoeirando na garagem… E ninguém vê. E, por favor, não coloquem o Passat nessa lista dos carros que enchem os eventos, porque (pelo menos aqui no RJ) aparecemos em média com 2 ou 3 carros, quando muito, hehehe… E creio que não dê pra controlar que uma grande quantidade de um único modelo participando, a não ser que se faça um evento mais fechado, onde os carros são convidados e não inscritos.

    Nik, eu tinha escrito bem mais. Aí percebi o tamanho que já estava e deixei pra lá, hehehe… Obrigado pelo espaço no blog para que um assunto tão importante seja discutido!

  3. Nikollas Ramos disse:

    Amigos, o espaço é para isso. Nanael, por favor, escreva sem economia sempre que quiser, suas palavras foram muito sábias. André, idem você! Apague nada não, vamos debater pois o que está em jogo é o futuro do nosso prazer. Pois todos aqui concordamos que, como está, é pouco ou nada perto do potencial do movimento e das próprias responsabilidades de seus membros.

  4. Luís Augusto disse:

    Nik, achei infleiz a colocação um tanto depreciativa a respeito de Opalas e Fuscas no post que deu origem a este. Creio que o grande erro da maioria dos encontros está justamente na falta de qualidade dos carros, seja eles quais forem. Fuscas e Opalas (ou Pumas, Corcéis ou Dodges) são igualmente importantes na preservação da nossa memória automotiva e o fato de existirem em abundância não os desabona. Acho muito mais interessante, para um encontro organizado, um Fusca dos anos 70 preservando todas as características de época do que um Split-Window meia-boca, ou um Puma imaculado (coisa raríssima) em relação a um Corvette tunado. Por isso defendo a filosofia do encontro de Araxá, embora ele seja visto como elitista pela maioria justamente por não permitir carros descaracterizados, como ocorre em Lindóia. Nas edições em que pude participar – levando, sem nenhum constrangimento, Fuscas e Opalas (rsrsrs) – assisti a palestras de Mauro Salles e Nelson Fernandes (o criador do Democrata), entre outros, o que atesta a preocupação dos organizadores com aspectos históricos e culturais. Concordo com o André na colocação de que quem faz o encontro são os proprietários e que é a eles que se deve priorizar, caso contrário, qual é a motivação de gastar um bocado de dinheiro e arriscar a integridade da sua jóia para ser apenas mais um rosto em uma multidão de curiosos, cuja maioria está ali como poderia estar em um jogo de futebol ou em outra atividade qualquer? Outra crítica que faço é ao excesso de encontros, que acabaram banalizados e regionalizaram muito o movimento antigomobilista. A não ser que o colecionador tenha estrutura empresarial para sustentar seu hobby, é simplesmente impossível levar o antigo (especialmente os bem preservados) a todos, o que abre espaço para que escombros ambulantes sejam alçados à condição de peças de coleção. Como proprietário de Fuscas e Opalas sou do tipo que mais sofre com isso, pois é frustrante ver seu carro antigo em meio a um amontoado de carros usados jogados em um canto do evento, enquanto Chevys dos anos 40 com quase tanta massa plástica quanto lata ocupam posições de destaque. Não se trata aqui de dor de cotovelo por não poder ter um desses. Priorizo os carros que vi na infância e pretendo manter essa linha na minha pequena coleção.
    Abraço

  5. André Grigorevski disse:

    Nik, já que você disse que não tem problema escrever mais… Lá vou eu, falar sobre os outros pontos que deixei passar.

    Antes de tudo, ótima colocação do Luis Augusto sobre a comparação de nacionais originais X importados paparicados e descaracterizados. Não podemos esquecer também que os proprietários de nacionais antigos dos anos 70~80 têm, como Opala, Passat, Fiat 147 e tantos outros, têm tanto trabalho em uma restauração quanto outro carro antigo. Devido a nossa falta de cultura antigomobilista (e a cultura do carro descartável… é velho? joga fora!), não temos peças de reposição adequadas. Achar peças é um verdadeiro garimpo e muitas vezes tão caras quanto as de carros mais antigos, as paralelas não prestam, as réplicas são mal feitas… Enfim, muitas vezes tenta-se diminuir quem tem um antigo nacional. Felizmente, por aqui, a situação melhorou muito desde quando comecei a frequentar os encontros.

    Quanto aos outros pontos, usando novamente o encontro do VCC como exemplo, eles tentaram limitar a presença dos antigos, digamos, mais populares no evento, cobrando um valor bem alto de inscrição. Coisa mesmo pra dono de Cadillac, Jaguar, Porsche… Por um lado ajuda a limitar e variar os carros, mas por outro atrapalha. Onde estava representada – de verdade – a indústria nacional? Vi apenas um Simca. Não vi nenhum DKW (e temos vários em excelente estado no RJ). Aero-Willys, só do primero modelo. Não vi Chevrolet Brasil, Gordini (só aquele de competição), Interlagos (tinha um de competição e um Alpine), FNM JK, Karmann-Ghia TC… Limitaram demais.

    Sobre carros “mais ou menos”, conversada no outro post, acho que a questão é ainda mais delicada. Em um evento de grande porte e anual, como este do VCC, Lindóia ou o de Araxá, como foi comentado no outro post, de fato não fica bem ir com um carro ruim ou “mais ou menos”. Mas a ponto de impedir a entrada, eu não sei… Muita gente não entra nesse mundo do antigomobilismo porque acha que os proprietários são arrogantes e que tudo isso é uma panelinha (em alguns casos, é mesmo). Talvez não seja assim que um potencial futuro colecionador deva ser tratado. Usando modestamente o meu exemplo (que não coleciono nada… só junto uns Passat velhos) quando fui a primeira vez em um evento com meu recém comprado primeiro velhinho (para quem não me conhece, é um Passat 4M 78) ele estava em uma categoria que eu classifico como “ruinzinho”. Pára-choques amassados, banco traseiro com estofamento rasgado, tampa da mala mal lanternada e com os emblemas todos fora de lugar, etc. Porém tudo ainda original. Foi participando dos eventos e conhecendo as pessoas que fui caçar as peças originais necessárias para reposição (e quem tem Passat sabe que é difícil encontrar). Gostei tanto da farra que comprei mais dois. Hoje esse carro já chegou no nível “mais ou menos”. Já tenho muita coisa guardada pra deixá-lo no nível “muito bom”, mas um dia eu chego lá. Quem sabe, no nível “excepcional”… Onde quero chegar? Se no meu primeiro evento eu já tivesse levado um fora, não ia perder a paixão pelo carro, mas provavelmente eu teria perdido o gosto por essas confraternizações.

    Voltando a questão cultural da coisa, um evento que eu participei e achei excelente foi o Blue Cloud, o encontro anual dos DKW (e que passou a convidar também os Puma e Passat para participar). Ok, por ser um evento principalmente sobre uma marca e com apenas duas outras convidadas, não tem o propósito de mostrar a história do automóvel. Porém, desde o início houve uma preocupação extrema em mostrar a história dos carros ali presentes. Eu mesmo preparei, por sugestão dos organizadores, um folheto para cada Passat que estaria presente. No folheto havia a história daquela versão ou, no caso de versões com mais de um carro, eu mudava a história, falava sobre as mudanças na linha para aquele ano, algo sobre a motorização… E sempre deixando no final alguma consideração sobre a história daquele exemplar em exposição (alguns eram pouco rodados, outros de único dono, outros participaram de filmes que retratavam a época de sua produção, etc.). No caso do meu, ainda deixei os dois anúncios sobre essa série especial que saíram em revistas da época, para que as pessoas pudessem entender que versão era aquela e porque ela era diferente das outras. Com isso e mesmo com vários carros teoricamente iguais (apesar dos anos e versões diferentes), conseguimos formar uma linha do tempo mostrando a evolução do modelo ao longo de sua história, com a maioria dos modelos produzidos. Da parte dos DKW, diversas palestras sobre a marca, inclusive com quem participou da equipe Vemag de competições, como Bird Clemente e Jan Balder. Amauri Mesquita também falou e mostrou fotos sobre sua época de piloto. O filho de Rino Malzoni falou sobre o trabalho do pai e mostrou a restauração de um modelo encontrado no interior de SP. E por aí vai… Da parte da história, não poderia ser melhor, pelo menos pra mim. Tenho 30 anos, não vi esses pilotos competindo e sabia pouco da história deles. Acabei saindo de lá valorizando muito mais estas pessoas. E certamente existem outros que merecem ser valorizados, dar palestras, contar como foi uma época que muitos não viveram ou mesmo nem se lembram mais.

    Desculpem novamente o texto longo, mas o assunto é complexo.

  6. Luís Augusto disse:

    André,
    Escreva e comente sempre, é um prazer ler suas idéias. Concordo com tudo o que vc colocou. Temos a mesma faixa etária (tenho 32) e vivi o mesmo drama de todos os iniciantes: meu Fusca 69 era (e ainda é) “mais ou menos” nos idos de 2002 e eu poderia ter me sentido desprezado em um primeiro momento. Mas o que ocorreu foi uma enorme motivação para melhorar o nivel da coleção, como acredito que tenha ocorrido com vc. Isso é um ótimo filtro contra os entusiastas tipo “fogo de palha”, não acha?

  7. Mário Buzian disse:

    Meus queridos amigos,

    Peço desculpas por não ter tido tempo hábil para responder a esse tópico, que é realmente muito importante, e ao mesmo tempo polêmico…
    Como vocês sabem, sou um pouquinho mais velho ( mas só um pouquinho, rsrsrsrs !!!), espero chegar aos 4.0 no final desse ano, e frequento encontros de carros antigos desde os anos 80, primordialmente em São Paulo, terra onde nasci e morei por um bom tempo, posteriormente, conhecendo muita gente do ramo, em outras cidades e estados brasileiros…
    Já fui dono de uma pequena frota, e sempre primei em possuir carros significativos (ao menos para mim) e originais, não condeno quem faça modificações, pois algumas delas realmente melhoram em muito o convívio com as ruas e estradas, mas mesmo assim, até por uma questão de originalidade, procuro ser fiel ao que foi fabricado.
    Esse modelo de encontros que vigora atualmente é o próprio exemplo de que as adaptações acontecem, mais visando o lucro e o “estrelismo” de alguns proprietários, do que realmente o interesse em preservar e mostrar um pedaço da história através do automóvel…
    Um dos primeiros encontros que participei era no estacionamento de um grande shopping center, que havia sido inaugurado, e que gerou um fato bem interessante, pois antes dele raramente em SP conseguia-se ver vários modelos de várias marcas em um mesmo encontro. Era gratuito, uma vez ao mês, e não contava com a venda de peças e agregados.
    Depois que o shopping decidiu extingui-lo, alguns colecionadores decidiram usar o estacionamento do Estádio do Pacaembu para seus encontros, com a conivência da prefeitura, nas terças-feiras à noite. Lá sim vigorou um pré-modelo do que existe hoje, e se institucionalizou como modelo de encontro de carros antigos.
    Tinha um sujeito, que era pago por alguns clubes, que decidia quem poderia entrar na área de exposição, ou não, e não era raro ver carros impecáveis e imaculados serem barrados em detrimento aos veículos de “amigos do clube”, e isso revoltava muita gente…
    Quando a prefeitura decidiu acabar com o encontro, que também era gratuito (apenas os expositores de peças e vendedores de lanches pagavam uma taxa simbólica), a Matel, organizadora da famosa Feira Livre do Automóvel, no Anhembi, mais uma vez visualizou a sua chance de obter um bom lucro, e transferiu essas atividades para o Sambódromo, local que ficava ocioso 360 dias do ano, e que eles tinham prioridade de locação, assim como o estacionamento do Parque de Exposições do Anhembi, onde se realiza a feira aos domingos.
    Como o local é bem cercado, possibilitou a cobrança de ingressos, tanto dos carros, como o de pessoas, e eu cho que até ficou melhor, mais bem organizado e selecionado, pois antes haviam vários arruaceiros que viviam detonando o espaço dos outros, agora eles acabariam ficando do lado de fora da festa…
    Como existe a passarela do desfile e os camarotes, aí sim cria-se um ambiente propício para os exibicionistas, que adoram mostrar seus reluzentes carrões, e bradar aos quatro ventos, “ah, como eu sou poderoso !!!”. Freud explica, assim como a falta de sexo e sensação de impotência e recalque justifica…
    Obviamente toda regra tem a sua exceção, e lá foi possível reunir também a “patota do bem”, gente que gosta, vive e respira antigomobilismo, e que sabe que as coisas não vão mudar, pois assim como a nossa política, modelos foram institucionalizados, rotulados, e dificilmente serão quebrados, pois dão lucro a uns poucos,e divertem o resto da massa…Panis et Circenses, como já foi dito várias vezes…
    Acredito que esse modelo um dia possa cair por terra, visto que qualquer tipo de exposição, seja ela de gado ou de malhas e tecidos, são regidas da mesmíssima forma.
    Óbvio dizer que seria no mínimo educativo colocar informes e placas mostrando um pouco do momento histórico de cada exemplar exposto, mas o que fazer quando um sujeito compra um antigo, e nem sabe dizer o que ele representou naquele tempo em que circulava livremente pelas ruas…Pode argumentar que “não era do meu tempo, eu via essas barcas rodando por aí e achava bonito, etc, etc, etc…”.A esse tipo eu chamo de exibicionista, e não um apaixonado pela causa, como todos nós…
    Carro, mulher, sexo, política, futebol e religião são coisas que normalmente não se deve discutir, e aí a educação nos traz o mote de que devemos ser imparciais nesses momentos.
    Não devemos.
    Vamos sim colocar as nossas idéias, discuti-las, pois somente assim algo pode ser mudado, nós plantamos a semente !!!!
    O meu modelo de encontro perfeito seria em um local coberto, bem sinalizado, de fácil acesso, e que contasse com gente que tivesse real interesse em saber sobre o carro inserido no contexto histórico. O espaço do Museu da Ulbra e seu acervo eram o modelo perfeito, mas o povo quer trabalhou por lá, por conta da ganância e exibicionismo de seu reitor, não vislumbrou essa hipótese.
    Os carros expostos deveriam seguir uma ordem de apresentação, mas isso se torna complexo na medida em que as pessoas simplesmente estacionam seus bólidos onde der e puder, não se importando com nada…
    Por que não fazer como se faz em um show em um teatro ??
    Reserva-se lugares pré-determinados, previamente agendados, e aí sim, pode-se mapear cada veículo, montar uma plaquinha com informações básicas, e nada de música para animar os ouvidos e dividir a atenção. Trilhas sonoras e gosto musical são algo muito particular, podem cair bem em um certo momento, ou ser um desastre em outro.
    Sou a favor de se criar “dioramas em escala real”, separados por motivos e épocas, pois além de bonitos, acabam sendo bem mais instrutivos.
    Poderia existir um encontro assim ???
    Malta, Grigorévski, Nik e amigos, o meu muito obrigado por esse espaço maravilhoso onde podemos sonhar e discutir as nossas paixões, sejam elas de que modelo e ano que for !!!

    Mário

    PS: meu gosto por modelos e marcas de antigos muda constantemente, acho que sou volúvel demais…

  8. Nikollas Ramos disse:

    Luís, desde seis da manhã, quando li sua primeira resposta, me dei conta da infelicidade do meu comentário. Mais uma vez, na emoção do momento, tropecei nas palavras. Peço desculpas sinceras a todos que leram meu comentário e tenham – com toda justiça – se ofendido ou sentido excluídos das minhas idéias que remam no sentido contrário: eu quero incluir e não excluir.

    Na verdade, Luís, o que eu quis dizer foi um pouco do que você replicou, se me permite a carona.

    A ditadura a que me refiro, não é de um modelo de automóvel, muito menos os nacionais, quiça os queridos Fuscas e Opalas. A exclusão a que me refiro sempre ocorre, os encontros são muito dinâmicos e o pouco tempo de quem os organiza nem sempre permite o melhor. Por isso que aqui falei aqui, com mais calma e tempo apra escolher as palavras, de encontro ideal, aquele que deve ser perseguido continuamente sem trégua, pois que assim se melhora a cada dia a substância do antigomobilismo.

    E para mim não existe antigomobilismo sem inclusão, sem aceitar a diferença, sem respeitar a opinião e o gosto do próximo. Anos atrás fui acolhido por amigos do Biela Quente em Niterói que em muito me ajudaram – e ajudam – a caminhar no universo dos carros. Meu carro na época – e hoje também – estava longe do padrão de concurso, mas fui acolhido, bem recebido, estimulado e ajudado por amigos que cultivo até hoje. Cada um ajudou com sua parte: um com conhecimento de mecânica, outro de um modelo, outro de preparação, outro da história dos carros. E ali me alinhei, descobri meu caminho e anos mais tarde abri este blog. Tudo fruto de um momento de inclusão. Este sim, na minha opinião, o verdadeiro espírito da coisa, atrair o neófito, e, por osmose, educá-lo nos melhores valores que se pode atribuir a um automóvel. Portanto, Luís estimado amigo, me desculpe, o que você com toda razão leu das minhas linhas foi provocado pela minha torpeza no moento em que as escrevi. Como pode ver, milito justamente na outra área do campo.

    Sofri muito com meu Dart 72, como o André e todos, na busca por peças. Confesso que diante das barreiras impostas e custos projetados, abandonei o projeto. Hoje me arrependo amargamente disso. Sinto muita saudade daquele carro. Achei que um americano de produção em massa seria mais fácil de se fazer e, até certa medida, o é. Mas como eu queria aquele Dart de volta.

    Os encontros que quero debater aqui, Mário, são os institucionais. Não acho que Sambódromo se encaixe na categoria. A exceção seriam encontros temáticos, sobre Mavericks, Fuscas, Opalas, V8 e por aí vai. Fora isso, fica realmente difícil organizar a multidão no calor da hora e toda a semana.

    Acho que no fundo direcionei minha reflexão para Lindóia, onde uma vez por ano e com uma boa estrutura organizacional, eles poderiam, aliás deveriam, difundir mais cultura, informação e diversão do que fazem hoje. Mas Lindóia é um enveto para quem está expondo e hospedado no Grande Hotel, não é verdade? Lá há eventos paralelos, alguns até boçais se me permitem a opinião, mas as pessoas se divertem, eu acho. E do lado de fora? Lá a patuléia tropeça na falta de informação total sobre os carros, e quem têm saco fica num jogo irritante de adivinhação: não, ésse é o 47, olhas os frisos do capú! Haja paciência. Eu ousei sugerir a eles que fosse obrigatória adotar um modelo de banner para cada veículo. Os organizadores forneceriam o modelo por década, personalizado para fabricante com a logo, que seriam preenchidos antes do evento pelo dono com mais informações do que na plaquinha. Isso seria cobrado, mais uns 2o paus na inscrição e ainda sobra para pagar um redator, um designer e começar a pensar no site permanente do evento e em um jornal a ser vendido (R$0,50) no evento. Enfim, idéias não faltam.

    Mas, aproveitando o gancho, a palavra é inclusão. O jovem têm que ser acolhido – e não sempre nem em todo lugar de forma incondicional – e o pode ser também através de práticas que não sejam somente a de expor o automóvel. As palestras que Luís menciona em Araxá são um bom exemplo, devem ser repetidas brasil afora. Afinal, enquanto os carros estão parados e sendo fotografados, sobra muito tempo para outras coisas além da Itaipava gelada.

    Assim, no meu encontro ideal, antes de discutir qual carro entra e não entra eu discutiria para que fazer um encontro. Para falarmos de quê? Só expor carros? Para e recreação dos donos? Então é o primeiro tipo, o encontro recreação, deixem como está. Se não, que tenha um tema, um propósito, um motivo para permanecer na memória das pessoas que por ele passarem.

    Para terminar, aqui em Niterói nós organizamos em 2006 o 1º encontro do Dodge Clube de Niterói. Nunca existiu este clube, mas ficava bem impresso assim nas camisetas, ora! De boca em boca reunimos num sábado em uma praça da cidade, onde brincam crianças e seus pais e avós, uns 25 carros, entre Dojões e Doginhos. Foi uma festa. A Lúcia e outras senhoras do grupo deram um toque especial: distribuíram flores às mães que estavam ali com as crinaças, afinal, estávamos invadindo o espaço delas. A resposta foi a que se pode imaginar, festiva e um clima total de congraçamento. Lá pela metade do encontro, uma senhora de 82 anos passa pela praça em passos largos e, quando vê o Magnum do meu amigo Alexandre Fritsch, pára, volta uns passos e diz com um sorriso aberto: “Eu tive um desses! Comprei zero na loja tal e me lembre que eu adorava acelerar esse motor! Ele é forte, né?” e em seguida continuou andando, acenando para nós, marmanjos versados em V8, todos com cara de admiração pela gesto carinhoso. Naquele momento vi que nosso encontro havia servido a um propósito.

    Então, pra terminar, para mim a palavra é incluir, aproximar as pessoas e difundir a história dos automóveis.

    Abraços, Nik.

  9. Luís Augusto Malta disse:

    Nik, li com atenção seu comentario e subscrevo cada palavra sua. Talvez discutir se tal carro deve ou não participar de um evento seja mesmo discutir o sexo dos anjos, enquanto o público “de fora” não tem a mínima idéia do que está vendo. Mais uma vez, palmas para Araxá, cuja organização elabora um texto bem esclarecedor sobre os principais modelos, falando da origem, características técnicas e, quando pertinente, a história dequela unidade específica. O problema levantado pelo Mário é que, principalmente em relação aos coadjuvantes, há muitas faltas e mudanças de última hora, o que inviabiliza o planejamento de um folheto explicativo para todos os 200-300 carros que aparecem por lá. Na próxima, pretendo elaborar um banner explicativo sobre o modelo que eu levar, como alguns colecionadores já fizeram em edições passadas, dando assim, uma contribuição mais ativa ao aspecto cultural do antigomobilismo.

  10. Nikollas Ramos disse:

    Legal, eu mesmo aqui atirando pedras e ainda não fiz o meu. Farei o mesmo, e depois publico aqui para vocês verem. Quem sabe, a moda não pega?

    Sobre o folheto de Araxá fiquei curioso. Quando tiver um tempo, poderia escaneá-lo e mandar pra gente, se ainda o tiver?

  11. Mário Buzian disse:

    Malta, você pegou o espírito da coisa…Eu concordo plenamente com vocês, nesse quesito informação deveríamos seguir o padrão norte-americano, que faz questão de colocar todas as infos possíveis sobre o carro exposto, inclusive com um álbum fotográfico mostrando desde a compra até o final da restauração…
    Fizemos isso com um Charger R/T 1971 de um amigo, e ficou bem legal, mostrava fotos desde o carro nop desmanche, todo detonado, as etapas de lanternagem (ou funilaria, ou chapeação), pintura, tapeçaria mecânica, montagem e o resultado final.
    Lembro que quandop vendi um carro na feira no Anhembi, montava um cartaz com todas as informações possíveis que conseguisse amealhar, e tinha gente q

  12. Mário Buzian disse:

    …e tinha gente que perdia uns bons minutos lendo todo o material, inclusive incluia revistas, catálogos e fotos dos modelos, vindos da minha coleção…
    Tinha gente que dizia que aquilo era perda de tempo e babaquice, mas eram a minoria, pois as pessoas adoram saber tudo o que podem sobre algo, e nada melhor que o seu dono ser o “especialista” e poder demonstrar com orgulho aquilo que tem na mão…
    Infelizmente nesses encontros normalmente tira-se algumas fotos e sai-se rapidinho, sem muito tempo, e com medo de que não dê tempo de se ver tudo…

  13. Nikollas Ramos disse:

    Curioso, tantas linhas depois e caminhamos para a idéia de que cada um pode por si fazer algo para tornar mais dinâmico o contato com o automóvel antigo. O óbvio se esconde em cada lugar, não é?

    O amigo Alexandre Fritsch, do qual falei acima e é dogeiro de primeira, faz isso com seu Magnum há muitos anos e, como você diz, as pessoas realmente gostam do que lêem.

  14. Luís Augusto Malta disse:

    Mário, seu comentário sobre os que tiram fotos e saem rapidinho mostra bem o qão pouco o espírito da coisa é compreendido pelo grande público. Parece aqueles excursões para a Europa em que se “conhece” oito cidades em dez dias e tirar uma foto de um monumento parece mais importante do que captar o espírito dos lugares e do seu povo…

  15. Nanael Soubaim disse:

    Posso parecer bobo, mas antes de disparar o obturador, eu vejo o “rosto” do carro e, como assim, busco o melhor ângulo como um bom profissional buscaria o da Ana Paula Arósio. A Caravan, a título de curiosidade, é das mais cooperativas, a Belina nem tanto.
    É impressionante como alguns poucos realmente interessados conseguem, quando juntos, encontrar um norte para as soluções que pleiteiam. Vocês estão de parabéns. Verei se consigo imprimir o texto e os comentários para os devidos fins.

  16. Nikollas Ramos disse:

    Pois sobre fotografia, essa nossa querida amada, soube que há até quem te en$ine a fotografar automóveis nos encontros do Good Guys, que para mim são um exemplo de diversão organizada – pero no mucho!
    E fotografar carros é difícil mesmo, ainda mais com a famigerada faixa de cena do crime circundando todos os carros bem na altura dos faróis, é quase impossível!!! É muito amadorismo, não? Por que não usar uma fita transparente ou colocá-la mais distante do carro 3 palmos para que milhares de fotos possam ser tiradas com o carro por inteiro, e não como se ele fosse um cadáver do C.S.I.! Façam me o favor!!!! ;)
    Fim à fotografia de cena de crime nos encontros! Queremos fotografar os carros por inteiro! :)

  17. André Grigorevski disse:

    Hehehe… Fita do C.S.I foi ótimo. Realmente, atrapalha bastante. Mas às vezes a multidão é tanta em algum evento que a fita é o de menos. O mais difícil é tentar encontrar um “clarão” pra fotografar.

    Aí, na pressa de tirar a foto (porque você olha pro lado e vê aquele cara se aproximando pra entrar na sua frente), a foto acaba saindo de qualquer jeito.

  18. André Grigorevski disse:

    Aliás, terminei meu post anterior sem concluir a minha idéia. A fita, às vezes, torna-se necessária. Como acho que escrevi em um dos posts anteriores, uma parte do público não tem um comportamento adequado perto dos carros.

    Quantas vezes já vi pessoas tentando abrir meu carro, como se ele estivesse em um show-room de loja? Quantas crianças já vi batendo em uma fileira de antigos, enquanto a mãe ou pai segura a mão delas e sorri? Uma vez conseguiram derrubar Coca-Cola no meu pára-lama (meu não… do carro).

    Nesse ponto, não sei o que poderia ser feito pra resolver. Nós temos o direito de fotografar os “velhinhos” sem a fita de isolamento e o público tem o direito de ver os carros por inteiro. Mas nós também temos o direito de não nos preocupar dentro do ambiente de um encontro.

    O que acham disso? Já passaram por situações parecidas?

  19. Nikollas Ramos disse:

    Ô, se já passei. Temos um encontrinho anual aqui em Niterói, que aliás será no próximo domingo o deste ano, que é na rua, em frente a duas Delicatessens de primeira, onde os carros ficam estacionados mesmo na rua. Imagine o que isso significa.
    Teve um ano em que tomei as dores do dono de um roadster 1930, e pedi mais de duas vezes, que as mesmas crianças saíssem do banco da sogra pois, pra subir, nem tiraram as sandalinhas de fivela… Arranhou um pouco.

  20. Alisson disse:

    Quando eu ainda não tinha um antigo mesmo assim frequentava encontros e sempre queria saber mais da história de certos modelos, mas raramente encontrava o dono para pedir explicações, ou ás vezes o mesmo se mostrava indiferente e sem interesse. Realmente as fitas amarelas atrapalham as fotos, mas às vezes são necessárias. Eu mesmo num encontro de viaturas militares, onde não existiam as tais fitas de isolamento, peguei crianças dentro do meu Jeep, e o pior, os pais assistindo aquilo, como se elas estivessem num brinquedo de parque de diversões. Concordo com o autor do tópico, deveria haver mais informações ao público e mais organização.

  21. David disse:

    Aqui em Salvador, não há muitos clubes, muito menos encontros. Os que eu conheço se limitam aos encontros semanais dos clubes do Fusca e Opala da Bahia e o mensal do Veteran Car Club. Por aqui o antigomobilismo é ainda bastante inexpressivo, ainda que o interesse sobre carros antigos tenha crescido consideravelmente nos últimos 10 anos, porém nada que impressione. E eu, enquanto visitante e curioso, vou sempre que posso para ver se aparece algum carro que eu nunca vi, como foi o caso de um Cougar de um amigo.

    O último grande encontro de antigos que eu presenciei foi o IV Encontro Nordeste de Veículos Antigos e, diante da situação do antigomobilismo por aqui, foi um super evento. Tinha Rolls-Royce, Chandler, Delage, um Fiat dos anos 20, Borgward Isabella, London Cab e muitos outros modelos que eu só conhecia da internet.

    Como já citado nos outros comentários, faltava-se nos carros uma identificação legível de cada modelo – depois eu ficava me perguntando “Que diabo de carro foi esse que eu fotografei!?” – que era o mínimo necessário. Também não havia nenhuma plaqueta informativa sobre os carros, salvo uma única exceção: um Panhard & Levassor que pertecia a um museu. Fora isso, foi um encontro bem organizado.

    Mas o que chateava era o povo mal-educado invadindo as fitas de proteção pra posar ao lado de alguns carros. Até onde eu vi, não fizeram isso com todos os carros, somente com alguns VWs.

    E, Nik, a solução de evitar crianças subindo nos bancos-de-sogra dos carros é colocando dois bonecos gigantes, um de Chucky e outro de Fofão, e mais outro de Pânico ou Super Nanny ao volante. Aí eu quero ver algum menino chegar perto. =DDDD

  22. André Grigorevski disse:

    Nik, desvirtuando um pouco o assunto, creio que o encontro que você está falando será aquele da região oceânica. Fui em 2007, mas no ano passado não pude ir. Domingo estarei lá, mas vou levar o meu “menos velho” (87). Se um Passat LSE “Iraque” chegar e se intrometer no meio dos mais antigos, sou eu. ;-)

  23. Nikollas Ramos disse:

    Só queria arrematar agradecendo a todos que deram sua opinião. Gostaria que elas fossem lidas por muitos, principalmente os organizadores dos grandes eventos nacionais que podem sim aprofundar a cultura do carro antigo, pela forma com que todos nos relacionamos com eles nestes grandes eventos.
    Afinal, aqui está concetrada a opinião de pessoas experientes e sensatas que podem sim contribuir com o aprimoramento constante dos nossos eventos.

  24. Fernando Holland disse:

    Eu prefiro encontros tipo “Carros do Brasil” realizado em Brazilia DF, organização do Nasser. São carros convidados, um de cada modelo, em estado original. Assim, os expositores têm afinidades, trocam experiências e o público pode ter acesso a exemplares diversos, com o mesmo tema. Em Passo Fundo-RS foi realizado um com este conceito pelos irmãos Azambuja, no Bourbon Shopping em Outubro de 2006. Interessante veículos nacionais expostos em forma de “Salão do Automóvel”:
    1) Itamaraty Willys Executivo 1968; 02) Puma DKW 1967; 03) Democrata IBAP; 04) Lafer LL 1978; 05) Simca Jangada 1962; 06) Simca Rallye 1964 1ª Série; 07) Karmann Ghia 1964; 08) Karmann Ghia 1970; 09) Karmann Ghia TC 1974; 10) Fusca 1200 1966; 11) Fusca 1500 1972; 12) VW TL Sport 1972; 13 ) VW TL 4pts 1975; 14) Galaxie 500 1968; 15) Ford Landau 1982; 16) Opala 1970; 17) Fiat 147 1978; 18) Dodge Charger RT 1976; 19) Dodge Charger RT 1979; 20) Dodge Dart SE 1972; 21) Adamo 1978; 21) Adamo 1980; 22) Adamo Conv. 1984; 23) Miura Sport 1981; 24) Miura Targa 1985; 25) Farus 1983; 26) Simca Chambord 1963; 27) SPII 1973; 28) SPII 1974; 29) SPII 1975; 30) Del Rey SR Executivo 1982; 31) Monza Sulam Conversível 1985; 32) Escort XR3 Conv. 1985; 33) Puma GTE 1978; 34) Puma GTS 1980; 35) Puma GTB 1979; 36) Caravan SS4 1978; 37) Bianco S 1978; 38) Bianco Tarpan 1979; 39) Maverick 4pts Luxo 1974; 40) Maverick Super Luxo 1975; 41) DKW Fissori 1965; 42) Ventura 1980; 43) VW Passat 1974; 44) Ford Belina Luxo 1972; 45) Santa Matilde Coupe 1979; 46) Santa Matilde Conversível 1981; 47) Kombi 6 pts 1973; 48) Opala de Luxo 4.100 1973; 49) Opala 1970; 50) Opala Comodoro 1980; 51) Gurgel X-15 1979; 52) Hofstetter Turbo 1987; 53) Ford Corcel 1971; 54) Maverick GT V8 1977; 55) Passat TS 1978; 56) Corcel 1971; 57) DKW Belcar 1963; 58) Simca Esplanada 1969; 59) Passat Pointer 1986. Como procedo para enviar fotos? Obrigado.

  25. machado disse:

    frequento eventos de carros antigos, tunados, corridas e afin e creio que posso ceder minha contribuiçao; ate porque frequentava a oficina onde meu pai trabalha (mesbla-silveira martins) e tenho presente na memoria pontiacs, mecurys, cadilllacs,kaisers, morris,stutbayker(perdoe a grafia)com seus carburadores de copinho transparente,havia outros com formato de estepe na tampa do porta malas um show.Vou a encontros de motociclista e gosto de ouvir credence, the alman brother, black sabha e outros, reconheço que em encontros de automoveis deveria haver diversificaçao musical, mas o que me chateia é a postura de alguns donos de veículos, impacientes, sem docilidade ao vizitante, parece que só dão atençao aos seus iguais, eu gosto tanto quanto, mais sou anonimo veneziano e sinto discriminaçao. fico ao redor de um carro que mergulha a minha lembrança ao passado, ao meu falecido pai, a minha falecida mãe tento dialogar e o sujeito não tem paciencia ou tato para lidar com amantes de carros como eu.Penso que cada expositor deveria ser submetido pela organização a aulas de boas maneiras, como encantar o vizitante, responder e fazer perguntas relevantes, mostrar simpatia e empatia ter postura, talvez alguns daqueles carros já tenha passado pelas mãos de meu querido pai(Severino Machado) mas eu fico ali curtindo aquela saudade dos meus e daqueles carros de maneira solitaria sem o respeito que me devem. Abraços.

  26. manoel de gravataí disse:

    pois é Mario a originalidade tem lá o seu valor mas qndo se quer um carro antigo para uso ainda mais um malzone 78 que para esportivo confiavel tem q. ter um ap-l.8 alc. com escap.dimensionado aerofolios efreio a disco tmbem nas rod,traz.tava pensando em turbinar mas a idade n~acompanha 66 aninhos e ainda ando de twister haaaa portas com controle já veio assim ….vou mandar foto para os malzoneiros….

  27. Alexandrine Peixoto disse:

    Olá
    Decidi deixar um comentário para ver se me podiam ajudar, pois vejo q percebem bastante de carros antigos.
    Estou no 12ºano do curso de turismo na escola secundária de Vila Verde e sendo o último ano temos de elaborar uma PAP (prova de aptidão profissional), sugeriram-me para que faça um encontro de carros antigos cá em Vila Verde, mas ainda não sei bem por onde começar … se me pudessem dar algumas dicas ou mesmo ajudar-me, agradecia !:)
    Obrigada.

  28. Luiz disse:

    que saudade tive uma GTX Esplanada igualzinha a esta da foto,motor V-8 canadençe 802 que luxo ja vinha equipada de fabrica conta-giro,bancos reclinaveis suspenção super macia ha que estabilidade nas curvas ,pena que ficaram esquecidas no passado,que saudade.
    luiz pires

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s