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Chevrolet showroom, 1936

Não é por opção que publico muitas fotos dos Fords. É a oferta de fotos dos outros que é baixa, muito baixa. E, no caso da GM, sem explicação alguma.
Não conheço um acervo digital em que a relação de fotos da Ford e da GM disponíveis seja menor do que 30 para um.
Uma hipótese é que eles controlavam severamente a divulgação destas fotos em canais que não os seus. Outra, que o acervo da Ford, seus revendedores e outros, por qualquer motivo, tenham ido parar em Bibliotecas enquanto o da GM não. Vá saber.
Mas, é uma realidade empírica. Fato.
Abaixo, uma das poucas, Concessionária ou Revenda – qual o nome? – do ano de 1936.
Adoro as crianças nestas fotos antigas. Os carros envelhecem, as crianças nunca.

Your Ford needs a Bakerized Inspection

As concessionárias resolveram, há quanto tempo, esconder do cliente o acesso às peças do seu automóvel? Era como loja de brinquedos: pegue, sinta, toque, admire, compre. Hoje, balcão nu, um sujeito estressado atendendo você e as seguradoras ao telefone, um código, um toque no teclado, um elevador com a peça, um cartão de crédito – próximo.

Eles perderam o orgulho de suas pastilhas de freio, ou reconhecem que não há nada de interessante a ser exibido?

Clique sem dó nas fotos, elas são realmente muito grandes.

Ford Baker Motor Co. em 1936.

No use, Mac. It’s a Ford V8.

Os cães não correm mais atrás dos carros. Se cansaram antes de nós, perderam o entusiasmo primeiro.
Mas nem sempre foi assim.
Houve uma época, quando íamos para a roça, em que o melhor momento da viagem era quando caíamos na estrada de chão e sabíamos que, de trás de qualquer lasca de braúna, podia sair um vira-latas irritado que nos perseguiria por muito tempo. Nos esprimíamos na janela e meu pai diminuía a toada para dar uma chance ao pequeno corredor. Eram quase sempre os mesmos, e a frustração era enorme quando um determinado cachorro não dava as caras. Por onde estaria? Na roça com o dono? Cobra mordeu?
Quando éramos cercados por um grupo era particularmente engraçado ver quem desistiria primeiro e quem por último. Este, geralmente, desistia depois de umas duas ou três olhadas para trás, para os colegas. Com a língua pra fora, arfando, diminuía a corrida e, abanando o rabo, nada cestroso, nos dava as costas e retornava para casa. Era assim, quase sempre, nos muitos quilômetros de terra batida até Monte Verde.
Há muitos anos que nenhum vira-latas orgulhoso do seu pedaço não nos persegue. Ou eu não me lembro mais de procurar por eles, ou eu acelero mais e eles nem tentam, ou eu deixei de ser criança mesmo, não sei.
Tudo isso e mais um monte de histórias me passaram pela cabeça quando eu achei, pela primeira vez, este anúncio da Ford, provavelmente de 1935:

Bom, eu pensei, se hoje nostalgia, nos anos 30 era uma prova de vigor. Imagine, onde se viu um Greyhound não querer correr? Desistir antes de tentar? O pequeno Terrier tudo bem, mas o Greyhound?

Fiquei pensando na cena dos calhambeques dos anos 10 e 20 pelas estradas e o motorista lendo um reclame assim. Só algum tempo atrás eu encontrei as fotos a seguir. Aí a coisa fez todo o sentido para mim.

Olha, Monte Verde hoje, em 2012, ainda não têm a urbanização desta cidade americana em julho de 1935, data da foto. Exceto por este detalhe, é bucólico do mesmo jeito. Mas os cachorros deveriam ser da mesma índole. Atentados.

Dei um zoom na foto, e vi – acho que vi – que o motorista do Ford aí estava com a cabeça inclinada para a esquerda. Será mesmo? Vi direito?

O que será que o cara pensou? Lembrou de algum vira-lata específico? Indicou um sorriso no canto da boca? Vai saber.

Achei esta outra foto lindíssima também, de outro lugar mas do mesmo anúncio, esta pequena pérola da propaganda.

Parece que desta vez ninguém deu bola para os cachorrinhos.

Por um motivo assim tão singelo e particular, este para mim é o mais criativo anúncio de um produto que eu conheci. Pois me fez abrir um sorriso e me lembrar de coisas tão boas como minha roça querida e a infância.

Sem preço, Mac.

Aproveitando a oportunidade – rara – de falar de Fords aqui no blog, segue outra da mesma época. Um billboard de um concessionário Ford de 1938. Veja que belo.

Essa foto era bem opaca, quando eu joguei ela no Photoshop o desenho do carro acendeu, ficou nítido, ganhou profundidade. Parecia em três dimensões. Dei um zoom e descobri que, na verdade, não é uma pintura. É realmente um Ford 1938 Tudor na beira da estrada!

Que tal estas rodas, calota e pneus? Sensacionais, Mac.

Toma um brinde, um calendário da Ford de 1938. De um dealer como o da foto seguinte.

No use Mac, it’s gone. Down to the memory lane.

Chevrolet e Charles Chaplin, 1936

Filme da Chevrolet, de 1936. A leitura que você fará dele é importante, mas não se esqueça de refletir sobre o que, no mesmo ano, Charles Chaplin mostrava ao mundo.

Master Hands Chevrolet Manufacturing, 1936

Este filme é uma obra de arte, sem dúvida. Nunca mais verei uma linha de montagem como antes. Lembrou-me, não sei por quê,  da plasticidade de Leni Riefenstahl e seus filmes do III Reich. Mas eu devo estar ficando doido. Assista, de qualquer forma.

Foi escolhido em 1999, pelo National Registry Film, como exemplo de filmes representativos da “arte, sociedade e cultura americanas”.

Charles Chaplin, ‘Modern Times’, 1936

Bom, este todos conhecemos. Eu só não sabia que ‘Tempos Modernos’ de Chaplin era contemporâneo da  pérola acima. O contra-ponto perfeito, nos fala sobre o que centenas de livros escritos não seriam capazes com a mesma força.