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David A. Smith

Na série dos posts sobre os sign painters, se mantido o critério (sic?), David Smith nem deveria estar aqui. Ele é uma criatura em extinção, sua arte ultrapassa qualquer referência. É absolutamente extraordinário – e divino – o trabalho deste inglês. Arte é proporção. Não imagino fora das telas e do mármore, quem o tenha alcançado em igual valor.

O primeiro filme é a história dele, sua loja, seu trabalho e ferramentas, muitas desenvolvidas por ele mesmo. O segundo, mais recente, é a capa de um disco de um certo cantor de blues que ele fez, mas no computador. Mas, na sequência, cria uma arte em vidro sobre o mesmo tema.

Não tente fazer isso em casa. Não se culpe por não ser capaz de fazer algo assim. Eu tentei, mas é inútil.

Filmes

Estes vieram do ilustre Irapuã. Não sei onde ele consegue isso, mas agradeço por me mostrar.

Sabe, olhando esses filmes me lembrei de Champollion, aquele da Pedra de Rosetta, com os hieróglifos e tal. É que quando ele acabou de decifrar aqueles desenhos estranhos, tudo começou a se mover em torno dele. Paredes, tumbas, frontispícios e estelas, tudo ganhou vida, toda a mensagem de séculos estava agitada, freneticamente, diante de seus olhos, exigindo ser decifrada. O passado ganhou vida diante de seus olhos.

Assim, filmes como este nos falam mais do que simples movimentos. Eles mostram essa coisa estranha que é o passado, do qual a saudade é uma forma de presença – viva, completa, conforme. São as pedras de Rosetta em nosso caminho. Tudo faz sentido, novamente.

Loyd Moore NASCAR movies

Eu nunca tinha sequer ouvido falar sobre a existência desses filmes. Estou com a sensação de que eu fui o último habitante do planeta a tomar conhecimento deles.

Que filmes raros. O nascimento da NASCAR, início dos anos 50, e em cores. Pelo que apurei, todos pertenceram à Lloyd Moore, piloto que correu de 1949 a 1955 na categoria. Moore faleceu recentemente, então como o último remanescente do primeiro ano (1949) do que hoje é a Sprint Cup Series, aos 95 anos de idade. Os videos de seu acervo lembram muito nossos filmes da Praia do Casino, RS, principalmente Daytona em 51 e 52.

Acima, Lloyd Moore segurando uma foto sua em 1947.
Fonte: NYTimes.

Que sensação boa assistir esse material. Não perca. Carros fantásticos (como o lendário Hudson Hornet de Herb Thomas, em cores!) na pista e fora dela, em circuitos hoje lendários, muita ação, capotagens, derrapagens, têm de tudo aí. São sensacionais!

No primeiro filme que assisti, de 1952, esbarrei logo com um Ford 1949 coupé encapetado, descendo o sarrafo nas baratas do pré-guerra! Só depois de assistir tudo mais de uma vez, descobri que este Ford, o vermelho de #59, é o próprio Lloyd Moore. No ano seguinte, o carro ainda é este mesmo coupé, mas pintado de azul e em um dos filmes a seguir, muito amassado dos catilipapos que distribuiu e recebeu pelas pistas.

Já o filme de Grand Rapids no mesmo ano(52), me emocionou. Veja o que era Gran Rapids em 1952! De uma simplicidade profunda! Rústico, singelo, seminal. O mesmo para Charlotte, que mais nos lembra uma pista de motocross do que propriamente a imagem que temos do circuito hoje.

E tem também a cena em Charlotte, quando o Ford de Moore, de lado numa curva engolindo todos por dentro, abre a tampa da mala… o cigarro no canto da boca do piloto em Syracusa, num conversível… muitos detalhes curiosos, pitorescos.

Se você já conhecia os filmes, me desculpe, mas como eu ainda não e não achei muita coisa na internet sobre eles, achei melhor deixá-los aqui. Sempre têm mais um mal informado como eu por aí.

O obituário de Lloyd Moore no New York Times merece ser lido. Os americanos são mestres nessa arte de contar a vida de alguém que morreu. Aqui, uma biografia mais completa. Que vida esse senhor teve.

Mas o assunto agora são os filmes dele. Ei-los!

1952 Grand National Race Daytona Beach NASCAR

1951 Charlotte Race NASCAR

1954 Southern 500 Darlington NASCAR

1952 Southern 500 Darlington Race NASCAR

1951 Grand National Race Daytona Beach NASCAR

1951 Grand Rapids NASCAR

1951 Dayton NASCAR

1956 Syracuse Convertible NASCAR Race

1951 Thompson CT. NASCAR

1952 Canfield Race NASCAR

Give Yourself the Green Light, GM, 1954

Achei um tesouro.

Este filme, produzido pela General Motors em 1954, pretendia convencer o americano da necessidade de reformar sua malha rodoviária, então obsoleta e deficiente, e explicar o por quê da necessidade de se rasgar a América no Norte com modernas freeways, as mesmas que ainda hoje nos impressionam. O filme vende as autopistas como solução, a única salvação para o caos que acometia o trânsito americano de então. Como ainda hoje lemos e ouvimos por aí, em todo o lugar.

Tudo bobagem, eu penso, pois o automóvel é o único problema do trânsito. Expandem-se as avenidas e a indústria trata de entupí-las com mais veículos. E o ciclo se reinicia novamente. Tanto é que, hoje, após as grandes obras de Eisenhower dos anos 50, que este filme precede, com suas imensas rodovias interestaduais, o trânsito nos EUA está longe de ser o que propagandeou a GM neste filme: uma eterna luz verde para o motorista americano. Como peça de ideologia é um lixo, como são os argumentos de quem defende, ainda hoje, a supremacia do automóvel sobre todas as coisas. Mas ainda há um tesouro aí, como disse, e não é esse.

O link para download do filme (500Mb) está aqui, no Archieve.org e vale a pena tê-lo em seu micro. É melhor que a versão que está no Youtube, que se pode ver acima. Baixando o filme, é possível ver frame a frame toda a fauna automobilística de 1954, com aqueles autos incríveis, coloridos, cromados e engarrafados. Não conheço filme melhor para se observar os automóveis do início dos anos dourados em seu habitat natural, esse verdadeiro Serengueti de cores, formas e velocidade. Se você conhece, avise por favor.

Curioso é a quantidade de Fords em close que se vê num filme da GM, Principalmente os shoebox. Vá entender.

Para uma lista dos autos e caminhões que aparecem no filme, devidamente identificados, siga este link do IMCDB.org.

A seguir, alguns frames que me chamaram a atenção. No primeiro, um raro e sonhado Ford Crestliner 1950, revestido em Coronation Red metálico.