Um trecho enorme de Lindóia este ano foi ocupado por antiquários. Vendem de tudo, exceto coisas relacionadas ao automóvel. Certamente que foi idéia de um jovem à frente da empresa que organiza o evento, a fim de incrementar o “mix” de produtos. Idéia de jerico.

Sim, é aquele Mercury que pouco se vê, o Turnpike Cruiser. Feio que dói, mas mui fotogênico.
A vocação de Lindóia, definitivamente, é a venda de carros e peças. Desconsiderar isso é um erro. Um dia, quem sabe, o evento se transforme num daqueles grandes “swap meet” americanos, em que se estacionam os carros de um lado e do outro qualquer um monta sua tenda para a venda ou troca de produtos. Não seria má idéia, todos ganhariam com isso, exceto o rapaz que pensa em “mix” de produtos e quem cobra para por ordem na turba.

Lado a lado, testemunhas da história, os vovôs de Detroit. Só em Lindóia.
No mais, sábado a tarde ainda havia muito espaço vazio. Partes do gramado foram doadas aos peregrinos, como a imensa sombra ao lado da área de alimentação, onde almocei acocorado sob frondosa e refrescante copa verde. Muita gente, muitas peças, muita rotatividade de expositores, talvez pelos altos preços cobrados aos mesmos. Um colega, que negocia em área nobre, me disse que seu espaço custa mais de 5K. Justo ou não, é tungar justamente o bolso de quem mais faz pela festa, com muito sacrifício e muita dificuldade, que são os vendedores de peças usadas. Seria mais fácil meter a mão no bolso dos expositores, mas eles sabem reclamar ora bolas, e aí o rapaz do “mix” se arrepende pelo que pagou em 4 anos na Escola de Marketing.

Ééé, um Packard V12 com o motor aberto. Obrigado, Magneto, e mais fotos em breve.
Sob meu ponto de vista, foi o ano dos Fords, depois do dos Chevrolet, Opalas e Fuscas – finalmente. Muitos à venda (os preços que li estão diferentes e para menos) e em exposição. Caminhonetes as mais variadas, inclusive duas lindas International e uma Studebaker.

Que tal esse odômetro? Sensível ao menor balanço, o disco de velocidade oscila, em kilômetros por hora, 70 ou 80 anos depois de sair da fábrica
Nunca pensei em premiar um carro, acho isso bobagem. Cada um deveria fazer o que gosta por si e não pensando no reconhecimento dos outros. Mas depois de ver o AMC Rambler 1957 que debutou em Lindóia, depois de 6 anos de restauração, me ocorreu que aquele senhor (com camisa do Rambler Clube, olha que quixotesco!) mereceria ser ovacionado por todos. É impressionante ver esse AMC. É lindo, espetacular, deslumbrante e por aí vai.

Ah, o único banheiro limpo que encontrei em Lindóia. Como as costas doíam e a posição é ingrata, adiei a empreitada.
Esse ano a festa estava linda, mas há algo de diferente no ar. Para variar um ou dois boatos mas fato é que a organização está mexendo com Lindóia. Não sei o que eles querem nem o que pretendem. Só espero que a frente de tudo não esteja, com a palavra final, o rapaz do “mix” dos produtos.
Acabei de chegar e já li o post do Guilherme sobre o Encontro. Imperdível. Tudo que é digno de nota está ali, não deixe de ler. O que ficou de fora, o resto, as minhas pitangas, estão a seguir. Todos os meus posts de Lindóia 2010 poderão ser lidos aqui, neste link.

Vista da grande festa em Lindóia, sábado à tarde. Dá para ver o gramado, e não é isso que fui ver lá.
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