Arquivo da categoria: Lindóia 2010

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Lindóia ‘10 Swap Meet – 8

Fotos para complementar o post do Luís sobre o AMC Rambler 1957 premiado em Lindóia este ano. Sabe como são os mineiros,  muito econômicos. E o que aconteceu? Guilherme tirou uma foto que no post do Luís se transformou em meia. Não há quem aguente bons textos como os deles com tão poucas fotos. Eis minha contribuição.

Reitero o que escrevi no blog do Luís. Ao saber que este carro um dia foi do Rio (leia a história na foto com o poster aos pés do Rambler, abaixo) por anos seguidos sem nunca ter sido restaurado, fiquei mais uma vez decepcionado pela pouca criatividade destes nossos ditos colecionadores, que não investem no que é menos óbvio e comercialmente duvidoso. O resultado é que nenhum deles obteve tanto destaque e reconhecimento como este AMC, neste ano em Lindóia. Graças ao dono (acho que é dona), que investiu muitos anos e dinheiro no projeto, a auto-diversidade brasileira ganhou um exemplar único, que vêm somar aos antigos brasileiros mais charme e originalidade que muito Bel Air, Ford 51 e Cadillac por aí, sem desmerecer a estes, apenas constatando que o mundo dos carros antigos deve ser plural e colorido e não monocromático como quase sempre ocorre.

Como escrevi lá no Antigomóveis, ser original quando o assunto é  automóveis antigos geralmente envolve muito dinheiro. Se quem pode não ousa, quem o fará? Eu é que infelizmente não posso, mas bem que gostaria.

Que se resgatem mais preciosidades menos óbivas como este AMC.

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Lindóia ‘10 Swap Meet – 5

Dodge Charger 1966, para mim o mais lindo dos Mopar, ao lado dos Plymouth Barracuda 1964.

Este verde que estava em Lindóia este ano deve ser um daqueles que foi importado recentemente. Já ouvi falar em guaribar um carro para ser vendido, mas pintado com o rolinho é o primeiro caso. De qualquer maneira, eu, no mundo de Alice, comprava e deixava como está. Como as ruínas históricas de Lúcio Costa, mantinha assim pelo valor em si não pelo que foi um dia.

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Lindóia ‘10 Swap Meet – 4

Packard 1933 e seu motor V12. Cortesia da Magneto, que teve a ótima idéia de deixar a tampa aberta. Gentilezas como esta a gente não esquece nunca. No ano passado eles me deram a chance de ver um Kiblinger 1907 e agora, pela primeira vez, um Packard V12.

Meu pai, que este ano finalmente me acompanhou à Lindóia, ao ver o carro disse, com a naturalidade de quem descasca laranjas: “empurrei muito um igual a esse; o dono do colégio interno em que morei em Itaperuna tinha um que só pegava dois quarteirões rua abaixo”.

Sem ter o que comentar, e pensando em como a vida é, pus-me a fotografar a máquina.

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Lindóia ‘10 Swap Meet – 3

Mercury Turnpike Cruiser 1958, em bom estado e na medida para quem quer gastar uns 150 contos restaurando uma extravagância da indústria automotiva. Nem me diga que é raro ou exótico, por que hoje em dia todo mundo acha o Edsel lindinho. Já em 1958…

O carro é desengonçado, não dá para saber se está indo ou vindo, pois a dianteira e a traseira são iguais, não necessariamente nessa ordem. Mas, falando sério, até que tem seu lado positivo, qual seja o de ser fotografado. Não me ocorre nenhum outro.

Deve ter sido importado para ser vendido aqui. Quem têm o sonho de ter um desses é que é mais raro do que o automóvel em si. Os dois se merecem. O que eu topava eram esses dois aqui, mas aí é difícil.

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Lindóia ’10 Swap Meet – 2

Carros que gostei, fotografados da posição exata que uma baita dor na lombar me permitiu, após 12 horas em pé: ereto. Portanto, não me acuse de preguiça, foi por necessidade mesmo que cliquei os carros assim. De pé.

Eu sei que Photoshop na mão de curioso é como sal na mão de quem não sabe cozinhar: estraga a comida. Mas eu não resisto aos efeitos.

Os outros posts de Lindóia 2010 estão aqui.

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Lindóia ’10 Swap Meet – 1

Um trecho enorme de Lindóia este ano foi ocupado por antiquários. Vendem de tudo, exceto coisas relacionadas ao automóvel. Certamente que foi idéia de um jovem à frente da empresa que organiza o evento, a fim de incrementar o “mix” de produtos. Idéia de jerico.

Sim, é aquele Mercury que pouco se vê, o Turnpike Cruiser. Feio que dói, mas mui fotogênico.

A vocação de Lindóia, definitivamente, é a venda de carros e peças. Desconsiderar isso é um erro. Um dia, quem sabe, o evento se transforme num daqueles grandes “swap meet” americanos, em que se estacionam os carros de um lado e do outro qualquer um monta sua tenda para a venda ou troca de produtos. Não seria má idéia, todos ganhariam com isso, exceto o rapaz que pensa em “mix” de produtos e quem cobra para por ordem na turba.

Lado a lado, testemunhas da história, os vovôs de Detroit. Só em Lindóia.

No mais, sábado a tarde ainda havia muito espaço vazio. Partes do gramado foram doadas aos peregrinos, como a imensa sombra ao lado da área de alimentação, onde almocei acocorado sob frondosa e refrescante copa verde. Muita gente, muitas peças, muita rotatividade de expositores, talvez pelos altos preços cobrados aos mesmos. Um colega, que negocia em área nobre, me disse que seu espaço custa mais de 5K. Justo ou não, é tungar justamente o bolso de quem mais faz pela festa, com muito sacrifício e muita dificuldade, que são os vendedores de peças usadas. Seria mais fácil meter a mão no bolso dos expositores, mas eles sabem reclamar ora bolas, e aí o rapaz do “mix” se arrepende pelo que pagou em 4 anos na Escola de Marketing.

Ééé, um Packard V12 com o motor aberto. Obrigado, Magneto, e mais fotos em breve.

Sob meu ponto de vista, foi o ano dos Fords, depois do dos Chevrolet, Opalas e Fuscas – finalmente. Muitos à venda (os preços que li estão diferentes e para menos) e em exposição. Caminhonetes as mais variadas, inclusive duas lindas International e uma Studebaker.

Que tal esse odômetro? Sensível ao menor balanço, o disco de velocidade oscila, em kilômetros por hora, 70 ou 80 anos depois de sair da fábrica

Nunca pensei em premiar um carro, acho isso bobagem. Cada um deveria fazer o que gosta por si e não pensando no reconhecimento dos outros. Mas depois de ver o AMC Rambler 1957 que debutou em Lindóia, depois de 6 anos de restauração, me ocorreu que aquele senhor (com camisa do Rambler Clube, olha que quixotesco!) mereceria ser ovacionado por todos. É impressionante ver esse AMC. É lindo, espetacular, deslumbrante e por aí vai.

Ah, o único banheiro limpo que encontrei em Lindóia. Como as costas doíam e a posição é ingrata, adiei a empreitada.

Esse ano a festa estava linda, mas há algo de diferente no ar. Para variar um ou dois boatos mas fato é que a organização está mexendo com Lindóia. Não sei o que eles querem nem o que pretendem. Só espero que a frente de tudo não esteja, com a palavra final, o rapaz do “mix” dos produtos.

Acabei de chegar e já li o post do Guilherme sobre o Encontro. Imperdível. Tudo que é digno de nota está ali, não deixe de ler. O que ficou de fora, o resto, as minhas pitangas, estão a seguir. Todos os meus posts de Lindóia 2010 poderão ser lidos aqui, neste link.

Vista da grande festa em Lindóia, sábado à tarde. Dá para ver o gramado, e não é isso que fui ver lá.