Arquivo da categoria: Estilo de vida

O que as pessoas fazem com os carros antigos, inspiradas ou influenciadas por ele.

Escaping Hell

Bom, para começo de conversa, o que vai abaixo é cópia, plágio de algum artista de verdade que achei por aí. Logo, nenhum crédito por fazer uma cópia ruim. Pois, braço muitos tem, suor todos produzem; mas uma idéia nova…

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É que outro dia eu desenhei no capacete de um amigo, durante o Rebel Day, e gostei. É tridimensional, as idéias de uma lado não precisam se comunicar com a do outro, gostei mesmo. Mas ficou ruim, tosco, sei lá. Mas o “cliente” gostou. Bom, a questão é que eu preciso de capacetes, de voluntários, de cobaias. O mesmo amigo gostou das idéias que mandei pra ele e semana passada paramos pra fazer o que segue.  Como foi pintado com a Posca, sem verniz, sai com pano e água. Limpamos e começamos o plágio.

Desenhar é um prazer, qualquer criança sabe disso. E eu ainda desenho na mesma expectativa, a de fazer algo que desafie e me alegre, só isso. Na última foto, um desenho que não deve ir adiante, cópia do trabalho do Sol Rac – esse eu guardei – que deveria estar no Rebel Day 2, neste domingo. Enfim, há outras coisas a serem vistas.

Só compartilho estas fotos pra estimular. Gente de talento poderia realmente fazer coisas novas em nosso cenário, tão saturado de auto-referências…

Em tempo, as fotos quando mandei pros amigos, surtiram o efeito esperado… Mais uma cobaia me cedeu o capacete… Que comichão que dá ver ele na minha mesa e não poder atacar! Mas esse final de semana começo.

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E agora a moça malvada do grande Sol Rac, que me foi aplicado pelo Fernando outro dia mesmo.

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David A. Smith

Na série dos posts sobre os sign painters, se mantido o critério (sic?), David Smith nem deveria estar aqui. Ele é uma criatura em extinção, sua arte ultrapassa qualquer referência. É absolutamente extraordinário – e divino – o trabalho deste inglês. Arte é proporção. Não imagino fora das telas e do mármore, quem o tenha alcançado em igual valor.

O primeiro filme é a história dele, sua loja, seu trabalho e ferramentas, muitas desenvolvidas por ele mesmo. O segundo, mais recente, é a capa de um disco de um certo cantor de blues que ele fez, mas no computador. Mas, na sequência, cria uma arte em vidro sobre o mesmo tema.

Não tente fazer isso em casa. Não se culpe por não ser capaz de fazer algo assim. Eu tentei, mas é inútil.

Road Brothers

Fico feliz com dois pedidos de divulgação no blog que me chegaram.
São os primeiros que eu aceito, por que, péralá, têm que ter criatividade e um gosto pela beleza, se não aqui não entra.
Antes mesmo do pessoal do Mecca’s, o Mauricio e o Roberto me apresentaram a Road Brothers, a empresa deles que está começando o negócio de camisetas com o tema automotivo.
Gostei muito e me lembrei que o primeiro post desse blog foi sobre uma empresa americana que já me vendeu algumas camisetas nessa vida. Nunca tinha vislumbrado, desde então, uma iniciativa semelhante no Brasil. Aqui só conheço coisa de mau gosto, cafona ou óbvia de mais. E fico pelado da vida de ter que comprar camisetas lá fora.
O que eles querem é divulgação de seu trabalho e, é justo, a preferência nossa. Chega de camiseta da Harley com a etiqueta “oficial” da HD, meu! Troço chato!
O site da Road Brothers é ease: www.roadbrothers.com.br

‘Mercury Blues’ by KC Douglas, 1949.

“Mercury Blues” foi escrita em 1949 por K.C. Douglas, um americano, negro, de origem humilde e rural, um dito bluesman. O crédito também foi dado a Bob Geddins, mas ele era só o manager e dono do selo.

A letra é uma homenagem aos Mercurys de 1949 by Ford. Uma das mais legais canções sobre automóveis que conheço:

“Well if i had money
Tell you what I’d do
I’d go downtown and buy a Mercury or two
Crazy ’bout a Mercury
Lord I’m crazy bout a Mercury
I’m gonna buy me a Mercury
And cruise it up and down the road

Well the girl I love
I stole her from a friend
He got lucky, stole her back again
She heard he had a Mercury
Lord she’s crazy ’bout a Mercury
I’m gonna buy me a Mercury
And cruise it up and down the road

Well hey now mama
You look so fine
Ridin’ round in your Mercury ’49
Crazy ’bout a Mercury
Lord I’m crazy ’bout a Mercury
I’m gonna buy me a Mercury
And cruise it up and down the road

Well my baby went out
She didn’t stay long
Bought herself a Mercury, come a cruisin’ home
She’s crazy bout a Mercury
Yeah she’s crazy ’bout a Mercury
Gonna buy me a Mercury
And cruise it up and down the road”

Algumas coisas na vida combinam muito bem. Cerveja e bolinho de bacalhau, frio e cama, Mercurys e flatheads e a lista é longa. Como ainda por exemplo, a parceria musical entre Roy Rogers e Norton Buffalo.

Não o cafona (sic!) do Roy Rogers que você está pensando, mas sim o outro, virtuoso da guitarra, mestre do slide guitar e ainda na ativa. E seu precocemente falecido parceiro, o genial gaitista Norton Buffalo. Assim, em tradicional duo de gaita e slide guitar, eles estiveram pela estrada muitos anos tocando blues, folk e country, com uma energia, cumplicidade e virtuose que raramente vi. Num de seus shows, eles gravaram “Mercury Blues” e a primeira vez que eu ouvi essa musica eu resolvi aprender a tocar gaita. Anos mais tarde, me inspirou comprar um Mercury. Ainda não consegui nenhuma das duas coisas, mas ainda escuto a música.

Essa versão não está na internet, achei por bem suprir o vazio. Segue aí embaixo, especialmente dedicada ao pessoal da Lista do Shoebox de onde estou sumido (Ira, Chico, San, Buzian, Alê, Eugene…).

Clique o play e escute dois mosntros do blues em intensa combustão interna sobre um Mercury 1949, V8, cruising up and down the road!

Praia do Casino, Rio Grande, 1974

Sem comentários do tipo ‘que absurdo’ por favor! As coisas são o que são e julgar a história é simples e uma atividade sem risco.

Dito isso, seguem as fotos publicadas pelo Ricardo Chaves em seu Almanaque Gaúcho, do dia em que ele testemunhou 18 automóveis antigos em um rodeio de destruição na praia do Casino. Era 17 de fevereiro de 1974 e, para nossa alegria (sic) as fotos que ele trouxe são em cores.

Quem me deu o link foi o querido Luiz Sampayo, de Rio Grande, que já havia compartilhado fotos desse dia, salvo engano, só que em preto e branco. Grato mais uma vez, Luiz.

Sabe uma coisa que eu admiro nesses caras de Rio Grande? O permanente interesse por sua história. Vez ou outra eu passo pelo Papareia e me quedo a admirar esse exercício de memória coletiva e permanente que, os gaúchos como um todo, tanto fazem questão de manter.

Um detalhe que me chamou a atenção é a variedade da pintura dos carros. Isso é mais do que acaso, isso é uma intenção culturalmente amadurecida. Tradição das carreteras, claro, mas talvez algo mais… Lindos os grafismos, muitos se divertiram horas enfeitando a lata dos velhos autos. Esse é um trabalho que eu faria con mucho gusto!