Me dei conta agora que eu estava numa longa fase de fotos em preto e branco. É o inconsciente me traindo, com certeza. É hora de colorir o blog e a vida, um pouco.
Para ver os outros posts, com diversas fotos antigas, clique aqui.
Me dei conta agora que eu estava numa longa fase de fotos em preto e branco. É o inconsciente me traindo, com certeza. É hora de colorir o blog e a vida, um pouco.
Para ver os outros posts, com diversas fotos antigas, clique aqui.
Depois que perdemos a Ulbra, me lavou a alma o último post do Flávio Gomes, sobre o Malzoni que ele conseguiu despachar para a Alemanha, a ser guardado no museu da Audi. Não deveríamos pensar e agir mais vezes assim? Não é este um belo exemplo a ser imitado e celebrado?
O link pro post do Gomes é este aqui. Leitura obrigatória!
Ainda falando em dioramas.
Depois que publiquei o trabalho do Michael Smith aqui, ele gentilmente me mandou mais estas fotos, de dioramas recentes. Que são ainda mais representativos do seu talento e criatividade.
Veja o caso das duas primeiras fotos a seguir. A mesma cidade, mesma cena, porém em épocas diferentes, fotografadas do mesmo ponto de vista. Não é fantástico o trabalho do Michael? Veja o cuidado em escolher os carros e em como o panorama e seus detalhes mudam de uma época para outra, indicado de forma sutil e autêntica a passagem do tempo e seu efeito sobre o cenário urbano. Estamos vendo ao mesmo tempo os piores anos da grande depressão (1933) e os ditos anos dourados (1956). Eu não tenho palavra melhor: Michael é um gênio.
Primeira cena, ambientada em 1933, denominada “Saturday Night”.
Segunda cena, “Saturday Night” agora em 1956.
E esta foto agora é do último trabalho dele, clicada ao entardecer em um estacionamento próximo da casa dele, em Boston. Também se valendo da ilusão causada pela perspectiva forçada e iluminação natural. Segundo Michael, lembra muito como era a sua cidade natal, Pittsburgh. Este trabalho ele denomina “Speed Shop”. Veja os detalhes. Impressionante, não?
Mais trabalho do Michael, principalmente do interior de seus edifícios, pode ser visto aqui neste link.
Eu também sou fascinado por dioramas. Nos detalhes enxergo a preciosidade de coisas que, normalmente, me passam desapercebidas no mundo dito real. Mesmo assim, quase sempre os dioramas me parecem inverossímeis. Por maior que seja o talento de quem o fez, eu me pergunto sempre se aquele detalhe seria mesmo assim, se aquele objeto estaria mesmo ali, enfim, tento racionalizar um retrato familiar mas que quase nunca me lembro como realmente é. Vou nas oficinas e fico olhando as peças pelo chão e as ferramentas na bancada e tento ver nos dioramas a mesma ordem naturalmente caótica das coisas. Um exercício e tanto.
Penso nisso ao ver a foto acima, de uma concessionária Ford em Washington D.C. em 1928. Olhando todos os detalhes da foto, as bombas de gasolina, os letreiros, vejo uma simetria quase artificial, própria de um diorama. É a primeira vez que tenho a sensação contrária, a de que a realidade estática de uma foto é incomodamente rica em detalhes e por isso quase não natural. Mas o é. E por isso é uma foto impressionante. E, se desta foto alguém fizesse um diorama, provocaria a mesma sensação. Diria: isso está muito artificial!
Via Shorpy.
Esta foto me lembrou da empreitada do Henrique e do Guilherme, que estão trabalhando num projeto de um diorama de uma concessionária Ford no interior Brasil, ambientada em 1930. O Henrique está publicando o passo a passo do planejamento do modelo, e com isso abre a chance de muita gente como eu que sempre admirou estas pequenas obras de arte, a participarem de alguma forma e aprenderem bastante. Ele não está economizando nos detalhes, e mal posso esperar o resultado disso.
O trabalho do Henrique com os projetos do diorama está aqui em seu blog, o Meu Fordinho, e o do Guilherme é o Antigos Verde e Amarelo.
A foto abaixo, de 1928, mostra um modelo T e um A, recém lançado no ano anterior, na porta de uma concessionária Ford, se não me engano na Califórnia, não tenho certeza. Mas bem que podia ser em Brazópolis nos idos de 1930.
Eu encontrei isto por acaso, e achei muito interessante.
“Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.
Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo ginástico, o salto mortal, a bofetada e o soco.
Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre adornado de grossos tubos como serpentes de fôlego explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Somotrácia.”
Parte do Manifesto Futurista de Felippo Tommaso Marinetti (1867-1944), italiano e pai do movimento literário denominado futurismo, publicado em 1914. Li que seu nome está ssociado ao fascismo e outros ismos que varreram a Europa então, mas disso eu não tenho culpa, nem você.
Abaixo, pintura de 1913 de Giacomo Balla, Velocità d’automobile, membro destacado do mesmo movimento artístico, cultural e político. Clique para ampliar, é deveras interessante.
Para uma aula mangna sobre a influência da obra de Marinetti no modernismo brasileiro de Oswald e Mario de Andrade, e o automóvel em suas obras, clique aqui.
Esse filme veio da Bilioteca do Congresso Americano. Filmado em 1899, pela empresa do Thomas Edison, mostra o que deve ter sido o primeiro desfile de automóveis de Nova York. Achei que seria interessante ver estas imagens logo depois do filme sobre a segunda corrida de automóveis no Brasil, que o Auto Relíquias descobriu, gravado exatos 10 anos depois.
Já faz algum tempo que, através do Paiva, presidente do Auto Relíquias, que sei que isso estava por acontecer. Ele não disfarçava a ansiedade, quando estive presente ao churrasco de encerramento do ano de 2008 do Clube. Afinal, se tudo desse certo, eles estavam por descobrir onde estava aquele filme perdido há tantas décadas, e que sozinho contaria uma história extraordinária, ilustrando uma época até então mal preservada em fotos. Trata-se do registro em filme da segunda corrida de automóveis do Brasil, realizada em São Gonçalo, aqui no Rio de Janeiro, em 1909, a exatos 100 anos.
Assistia por acaso o Globo Esporte deste domingo quando vi a chamada para aquela reportagem extraordinária com imagens raras, belas e cativantes. Eles haviam conseguido, afinal.
Eu fico orgulhoso por eles. Afinal, quantos clubes realizaram algo tão extraordinário, do ponto de vista histórico, seja pelo lado do automóvel ou qualquer outro? Quando o assunto é automóvel, é tão fácil falar de si, dos motores, do que é meu. A cruzada quixotesca em busca da preservação e da divulgação da cultura, é também estóico e por isso nos remete à origem dos clubes e associações, que deveriam sempre pautar suas ações também a favor da divulgação da cultura local, regional, de devolver à coletividade algo que muitas vezes ela não percebe e nem se dá conta de que estava ali a tanto tempo e qual sua importância. O Auto Relíquias neste aspecto é um exemplo a ser imitado.
De quebra, este filme ainda é o registro mais antigo preservado no Brasil. Não há nada mais antigo do que isso gravado em seu movimento natural em nossa história. Graças ao Auto Relíquias, este registro – tinha que ser – ainda por cima é sobre o automóvel.
O vídeo da reportagem do Globo Esporte pode ser visto na página do Clube Auto Relíquias ou no Globo.com. Para ler o artigo do Pedro Maranhão, vá no blog do Saloma.
Se você já conhecia os automóveis Dort, parabéns, eu ignorava sua existência. Mas minha enciclopédia aqui na estante ao lado conhece, de onde eu extraio os ensinamentos a seguir. Veja que interessante.
“Em 1886, J. Dallas Dort, um empregado de uma loja de ferragens, investiu U$1.000.00 na metade da recém fundada empresa de carruagens Durant-Dort, que rapidamente se tornou a maior da América, produzindo 150.000 veículos em 15 fábricas. Este grupo entrou no ramo automotivo em 1903 com os automóveis Buick. Dort começou a produzir carros com seu nome em 1915. Os primeiros Dort tinham motores Lycoming de quatro cilindros e 2.720cc. O Dort Model 11 de 1918 tinha um motor maior, também Lycoming, porém de 3.146cc e uma embreagem operada apenas por um pedal, além do freio de estacionamento. Havia ainda um freio de emergência. A linha de 1921 foi remodelada com um formato angular de radiador. Este radiador, por suas vez, foi substituído por um radiador redondo de níquel alguns anos mais tarde. Um motor seis cilindros com válvulas na cabeça e 3.205cc passou a fazer parte da linha em 1923 e tornou-se o único disponível em 1924.”
E mais minha enciclopédia não diz. E acho que mesmo assim os portugueses que a editaram se enganaram. Durant investe na Buick em 1904 e não 1903, pelo que me consta, mas isso não é grave. Li aqui que Dort, seu sócio de primeira hora, chegou a ser vice-presidente da General Motors, mas os laços entre ambos se desfez em 1915, quando Dort começa a fabricar seus próprios automóveis. Em 1924, os altos custos de desenvolvimento e distribuição impõem o fechamento da Dort Motor Car Company. Seu fundador, Josiah Dallas Dort, falece no ano seguinte.
Dort é, ao lado de Durant e outros nomes mais conhecidos, um dos pioneiros da indústria do automóvel nos EUA, tendo sido reconhecido como tal ainda em vida. Em Flint, Michigan, seu nome faz parte da histórica local. O curioso é que eu descobri essa história toda, inclusive a existência do sócio do Billy Durant, que eu desconhecia pelo nome, através de uma fotografia perdida em uma biblioteca pública dos EUA. Acessível pela internet, de graça, do aconchego da minha cadeira. Por coisas pequenas como esta é que eu morro de inveja dos vizinhos de cima.
A foto, a segiur, é cheia de referências e informação, um passeio no tempo e raro descanso para a cabeça.
Eu não leio mais a Cla$$ic $how, mas meu vizinho lê. Hoje pela manhã ele insistiu para que eu lesse o Editorial da edição que está nas bancas. Por educação, eu li. Meu amigo, o argumento é de uma pobreza sem igual. Disfarçados de bons samaritanos, a Revista, ao comentar o fechamento do museu da Ulbra, quer vender aos seus leitores a falsa idéia de que existe um lado positivo aí. Sabe qual? O de que acabou-se o Museu sim, mas, por outro lado, este acervo está engordando as coleções particulares do Brasil! Simples assim! Não é muita cara de pau? Como se isso pudesse, em algum momento e de alguma forma, substituir a existência de um Museu, ainda mais como foi o da Ulbra. Realmente, não dá para ler uma revista que confunde Museu com o que é particular. Se assim fosse, eu gritaria primeiro: vamos fechar o Museu da Imagem e do Som, e por favor entreguem para mim todo seu acervo para que eu aprecie, sozinho, em casa, o melhor de Noel e Pixinguinha, saboreando um bom Merlot e um puro cubano! E você que enxergue o lado bom disso, seu otário! E dane-se a coletividade! Clique no link para ler mais da minha indignação sobre esta pouca vergonha assinada pela Cla$$ic $how.